sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

De Coronéis, Política e Eleições

Reproduzo abaixo texto do amigo e radialista Omar Torres, o Babá.

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Um velho coronel, conhecida raposa da política, preparando um filho para trilhar os sinuosos 
caminhos da política mineira ensinava: “na política, meu filho, o melhor é não falar. Se falar, não diga; se disser, não escreva; se escrever, não assine, mas se tiver que assinar, assine com a mão errada”. Em outros tempos Antonio Carlos Magalhães, o Toninho Malvadeza, que se jactava de ganhar eleição “com o dinheiro numa mão e o chicote na outra”, confidenciou a um privilegiado interlocutor que considerava a confiança como o principal quesito para decidir a escolha do seu candidato. As outras qualidades a gente faz, dizia. Entenda-se aí confiança como subserviência. 

Quando, finalmente, no dia 24 último, o Governador Eduardo Campos anunciou o nome do candidato que escolhera como de seu, depois de desgastante processo nas hostes governistas e a escolha recaiu sobre o pouco provável, tímido e quase desconhecido do povo, secretário Paulo Câmara não pude deixar de sentir que os velhos ensinamentos, que não deveriam ser tomados como lição, tinham sido postos em prática. Os preteridos falaram e disseram mais do que deviam, se esforçaram para ganhar musculatura política no grupo, mas não conseguiram ganhar o quesito confiança que decide a escolha. E quando o ungido proclamou no seu discurso de candidato “ ... Meu líder maior é Eduardo Campos e a tropa está unida”, que seguirá os passos do socialista e “será o primeiro a acordar e o último a dormir” foi a publicação do comprometimento com quem o escolheu e não com quem elege.

Como entristece, em pleno século vinte e hum, assistir discursos de futuro e modernidade apenas como retórica que mascara os velhos ensinamentos e práticas dos séculos dezenove e vinte. Como dói constatar que nós, o povo, não somos a prioridade nem o objetivo das alegrias das grandes vitórias e sim meros espectadores do prazer de quem quer derrotar um partido. Incomoda ser tratado como uma criança que deva abrir mão da mágica que encanta para se embevecer com um mercador de ilusões. Quanto desalento constatar que os velhos coronéis de roupas cáqui, chicote e dinheiro nas mãos, se apresentam agora em talhados ternos Armani, com vistosas gravatas Hermès, usam notebooks, se deslocam em aviões a jato, mas não mudam as práticas nem a forma de bater e nos fazer sofrer.

Omar Torres

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