quinta-feira, 9 de maio de 2013

O Bolsa Família e a Acomodação Presumida

Aprendi ao longo do tempo que o lugar de onde se fala influencia no conteúdo mais do que as próprias pessoas pensam. Me explico: Para grupos em situações mais confortáveis de nossa sociedade, como parte importante dos chamados setores médios, é muito fácil emitir determinadas opiniões políticas, pois de uma forma ou de outra, por estarem em situações confortáveis, pouco sofrerão influências no seu modo de viver.

Para ser mais claro, posso citar como exemplo setores que afirmam que um governo federal do PT, por exemplo, é a mesma coisa de um governo do PSDB. Ou posso citar aqueles que, após entrarem em uma universidade, passam a ser contra a abertura de novas universidades.
Alguns vão mais longe ainda: entram numa universidade pública nova e passam a se posicionar contra novas aberturas. E aqueles que entram por cotas e passam a ser contra as cotas??? Bem...


De toda forma não os culpo. Todas e todos têm direito a mudar de opinião. Seja por reflexões próprias ou, o que é mais comum, por passarem a assumir o discurso e o pensamento de setor da sociedade que pretensamente acreditam fazer parte agora.

Mas antes de me perder nesta divagações, queria falar do Bolsa Família. Para mim é uma situação que também se encaixa entre os exemplos citados acima. Não é segredo pra ninguém que é um programa bastante criticado por setores da elite e da classe média, entre estes muitos esquerdistas também como já citei.

E aí, antes de fazer a pontuação que queria, é preciso deixar claro que há problemas sim e que um programa como este não é solução definitiva. Ou pelo menos não deve ser encarado dessa forma. 

Mas também não dá para não deixar clara a sua importância. E eu vejo muito isso aqui no sertão nordestino.  É bastante explícito que se não fosse o Bolsa Família, o sofrimento deste povo nesta seca, que já é a maior nos últimos 50 anos, seria muito pior. Muito pior mesmo. Não é brincadeira isso.

E quem não depende do Bolsa Família? Bom.. neste caso é mais fácil ficar criticando, falando que é programa assistencialista, que é o governo federal comprando votos, etc. Uma delas é clássica: que o Bolsa Família faz as pessoas se acomodarem, tornarem-se preguiçosas. Mas ainda bem que existem os fatos concretos e os números para mostrar como as coisas acontecem. E um exemplo destes números é o que se vê na reportagem que segue no link ao lado. Já são 1,69 milhão de famílias que abriram mão de receber o dinheiro por considerarem ter havido uma melhora em suas condições de vida.

Reforço: Programas como o Bolsa Família nunca devem ser o fim de ações governamentais. Mas passando fome as pessoas não possuem o mínimo de condições para lutar por uma vida melhor.

De toda forma, vale muito a leitura. Respeito muito as opiniões contrárias que buscam embasamentos, que trabalham com a realidade concreta. Assim como respeito também aquelas pessoas que por ventura reproduzam certos discursos, mas saibam buscar a informação e reconhecer seus erros. Mas cada vez perco menos meu tempo com quem fica reproduzindo clichês e discursos dignos de CCC.



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