terça-feira, 30 de abril de 2013

Para não dizer que não falei de Paulo Vanzolini

Em 24 de janeiro de 2007, numa postagem aqui no blog, comentei que de uma terra que produziu Adoniran Barbosa e Paulo Vanzolini não se pode falar que não há samba.

Assim como Adoniran, Paulo Vanzolini foi um gênio do samba e sua morte representa uma grande perda para o nosso país.

Assistam o ótimo documentário abaixo.


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segunda-feira, 8 de abril de 2013

Armando Boito Jr: Os Tucanos e a Classe Média


Republico abaixo texto do Professor Armando Boito Jr, da Unicamp, que saiu no Brasil de Fato. O Boito talvez seja hoje quem melhor analisa os posicionamentos de classe no Brasil. 


Vale muito a pena a leitura!

Os tucanos e a classe média

Os interesses do grande capital internacional e da fração da burguesia brasileira a ele completamente integrada, representados pelo PSDB, encontraram uma base de apoio no Brasil. Essa base não é “a classe média”. A parte majoritária da classe média apoia a política neodesenvolvimentista dos governos do PT. Essa base de apoio é a fração superior da classe média brasileira, a alta classe média. Em termos eleitorais, não é muito e em daí as agruras do PSDB
08/04/2013
 Armando Boito Jr.*
I
Muitos analistas e observadores políticos têm escrito que o PSDB representa a classe média. Será verdade?
É meritório colocar a questão de saber quais setores sociais um determinado partido político representa. Tal questão poderá parecer óbvia para alguns, mas ela não o é para a maioria dos que escrevem sobre os partidos políticos. Nas universidades, os cientistas políticos analisam os partidos de maneira formalista. São consideradas sua estrutura interna e seu papel no sistema partidário sempre isolando a vida do partido da estrutura social e econômica da sociedade. Esse enfoque, que omite a questão da função representativa dos partidos, é praticado pelos neoinstitucionalistas, corrente amplamente hegemônica na Ciência Política contemporânea. Ainda nas universidades e também nos jornalões, a questão é omitida inclusive por outras razões. Os articulistas que se apresentam como conhecedores da política brasileira se deixam iludir pelo discurso dos próprios partidos. Apegam-se à superfície desse discurso e tomam ao pé da letra suas proclamações de princípios e de intenções bem como suas declarações de ocasião. O resultado é que o exame rigoroso da representação partidária é deixado de lado.
Os partidos políticos representam, no geral e de modo complexo e flexível, interesses de classe e de frações de classe sociais. Partindo desse ponto, voltamos à pergunta: os tucanos representam a classe média?

domingo, 7 de abril de 2013

Fidel Castro: O dever de se evitar uma guerra na Coreia


Como sempre, Fidel Castro nos brinda com sua grande inteligência e pacifismo. Desta vez, em curto artigo, nos traz algumas reflexões sobre a responsabilidade que EUA e Coréia do Norte devem ter com toda a população de nosso planeta.
Segue abaixo o texto. Bom proveito!
Fidel Castro
"Hace unos días me referí a los grandes desafíos que hoy enfrenta la humanidad. La vida inteligente surgió en nuestro planeta hace alrededor de 200 mil años, salvo nuevos hallazgos que demuestren otra cosa.
No confundir la existencia de la vida inteligente con la existencia de la vida que, desde sus formas elementales en nuestro sistema solar, surgió hace millones de años.
Existe un número prácticamente infinito de formas de vida. En el trabajo sofisticado de los más eminentes científicos del mundo se concibió ya la idea de reproducir los sonidos que siguieron al Big Bang, la gran explosión que tuvo lugar hace más de 13.700 millones de años.
Sería esta introducción demasiado extensa si no fuese para explicar la gravedad de un hecho tan increíble y absurdo como es la situación creada en la península de Corea, en un área geográfica donde se agrupan casi 5 mil de los 7 mil millones de personas que en este momento habitan el planeta.
Se trata de uno de los más graves riesgos de guerra nuclear después de la Crisis de Octubre en 1962 en torno a Cuba, hace 50 años.
En el año 1950 se desató allí una guerra que costó millones de vidas. Hacía apenas 5 años que dos bombas atómicas habían estallado sobre las ciudades indefensas de Hiroshima y Nagasaki, las que en cuestión de minutos mataron e irradiaron a cientos de miles de personas.
En la península coreana el General Douglas MacArthur quiso emplear las armas atómicas contra la República Popular Democrática de Corea. Ni siquiera Harry Truman se lo permitió.

sábado, 6 de abril de 2013

Sensata opinião sobre a Coréia do Norte

Meu amigo e jornalista João Guilherme não gosta quando generalizo.  Mas não há outro jeito. A grande mídia tem algumas características. Uma delas é agir quase como um bloco unitário quando se trata de defender os interesses das nações imperialistas e das grandes transnacionais.

A moda do momento é falar mal da Coréia do Norte. Agem sistematicamente com o intuito de passar a imagem de um país de loucos, com uma "ditadura" sanguinária e irresponsável. Mas será que é assim mesmo? Quantos de nós paramos para refletir a partir de outros olhares? Pior: quantos de nós temos acesso a outras perspectivas?

Compartilho o texto abaixo do Breno Altman, jornalista e diretoro editorial do Opera Mundi, nos chamando atenção para um outro olhar.

Vale muito a leitura.

Coreia do Norte sabe o que faz

Pode-se não gostar da política e do estilo, mas a Coreia do Norte está longe de ser uma pantomima do absurdo




Não falta quem apresente o governo de Pyongyang como um bando de aloprados, chefiado por um herdeiro tonto e tutelado por generais dignos de Dr. Strangelove, o célebre filme de Stanley Kubrick estrelado por Peter Sellers. Mas fica difícil acreditar que um Estado pintado nessas cores possa ter sobrevivido a tantas dificuldades nesses últimos vinte anos.


Depois do fim da União Soviética e do campo socialista na Europa Oriental, que eram seus grandes parceiros econômicos, a Coreia do Norte entrou em colapso. O caos foi agravado por catástrofes naturais que empurraram o país para uma situação de fome. Poderia ter adotado o caminho de reformas semelhantes às chinesas, mas o risco de ser açambarcado por Seul afastou essa hipótese.

O forte nacionalismo, mesclado com economia socialista e mecanismos monárquicos, impulsionou uma estratégia de preservação do sistema. Laços com a China foram reatados. E os norte-coreanos resolveram peitar o cerco promovido pelos EUA, cuja exigência era rendição incondicional.

A consequência óbvia dessa decisão foi reforçar a defesa militar, tanto do ponto de vista material quando cultural. Na chamada ideologia juche, criada pelo fundador da Coreia do Norte, Kim Il Sung, que combina marxismo e patriotismo, as Forças Armadas são a coluna vertebral da nação.

sexta-feira, 5 de abril de 2013

HAITI: eles precisam de solidariedade, não de soldados!


por Joao Pedro Stédile

Caros amigos e amigas,

Acabo de chegar de uma viagem ao Haiti. Fui participar de um congresso do movimento campones Haitiano e aproveitei para visitar várias regiões do país e os projetos que a brigada da Via campesina/ALBA, estamos desenvolvendo em solidariedade ao povo do Haiti.

Gostaria de começar minha carta, comentando as características principais daquela nação. É um pais do tamanho de Alagoas (27 mil Km2) todo ele montanhoso, como Minas Gerais, e com as montanhas totalmente devastadas, ou seja sem cobertura vegetal, pois os camponeses ao longo de décadas tiveram que recorrer ao carvão como única fonte de energia e de renda. Toda alimentação do Haiti é preparada com carvão. Não há fogão a gás no país, com exceção dos bairros ricos de Port Príncipe. O clima é semi-árido em todo país. Chove apenas três meses por ano, e depois aquela seca nordestina... E o povão são dez milhões de pessoas, nesse pequeno território superpovoado, com 95% de afrodescendentes e 5% de mulatos.

Eles são os herdeiros da primeira grande revolução social da América latina, quando em 1804, se rebelaram contra os colonizadores franceses que os exploravam como escravos, e os condenavam a ter apenas uma media de vida em 35 anos. Expulsaram todos os colonizadores, eliminaram a escravidão e distribuíram as terras. E como sabiam que os colonizadores poderiam voltar ainda mais armados, subiram as montanhas, aonde estão até hoje.

Os colonizadores voltaram, mas não eram mais franceses, agora vieram os capitalistas dos Estados Unidos que ocuparam a ilha de 1905 a 1945. E quando saíram deixaram a ditadura Duvalier pro-americana que terrorizou a população de 1957 a 1986. Seguiram-se governos provisorios.

Em 1990, elegeram o padre Aristides, da teologia da libertação . Não adiantou, os americanos o derrubaram e levaram para Wasghinton, para lhes dar aulas de neoliberalismo. Voltou domesticado para cumprir outro mandato.

Depois elegeram o Presidente Preval, que conseguiu cumprir o mandato, mas sem nenhuma mudança democrática. E agora, elegeram governo títere dos americanos, que gastou 25 milhões de dólares na campanha eleitoral. Todos sabem no Haiti, que o povo não o elegeu.

Deveria haver eleições para o parlamento, que o mandato expirou há mais de seis meses. Mas ninguém fala nisso. Por tanto, não há mais parlamento legalmente constituído, embora funcione. Na prática o poder real é exercido pelas tropas das Nações unidas, chamadas de Minustah!

Por tanto, apesar de libertos da escravidão, o povo haitiano viveu poucos anos de democracia, mesmo que burguesa

O povo vive em pobreza extrema de comida e bens materiais. Que se agravou com o terremoto de janeiro de 2010, que matou milhares de pessoas e destruiu praticamente toda cidade de Port Principe. Mas é um povo que se mantém com dignidade e altivez, unido pela cultura, pelo idioma Crioll que só eles falam no mundo, e pelo Vudu (equivalente ao nosso candomblé), praticado por quase toda população, embora mantenham um sincretismo religioso, no estilo: aos domingos a missa e nas quinta-feiras o terreiro.

Nas regiões rurais, não há escolas. 70% da população vive no meio rural. O analfabetismo atinge a 65% da população. Não há energia elétrica no interior. Apenas em Port Príncipe. Há apenas três rodovias nacionais asfaltadas. E não há agua potavel. Todo mundo precisa comprar a agua potável, a preços internacionais.

No ano passado, pela primeira vez em sua historia, houve uma epidemia da cólera, que matou a centenas de pessoas, A doença medieval foi trazida pelas tropas do Nepal, que jogavam seu esgoto no principal rio do pais. Algum tribunal internacional se anima a processar as Nações Unidas por essas mortes?

Mais de 65% de todos os alimentos são importados ou chegam na forma de doação, que são apropriados por uma burguesia comercial negra, que explora a população.

As famílias que ainda conseguem ter algum recurso para fazer compra dos produtos que vem da vizinha Republicana Dominicana, é porque recebem ajudas de parentes que trabalham nos Estados Unidos.

Num cenário desses, não é difícil imaginar, quando virão as próximas revoltas populares. Mas não se assustem, lá estão 12 mil soldados de muitos países do mundo coordenados pelo Exército brasileiro, com o timbre das Nações Unidas, para conter possíveis revoltas. Desfilam em comboios fortemente armados, apenas para dizer ao povo: Não se esqueçam, estamos aqui para manter a ordem,! A ordem da pobreza e da nova escravidão. Lá não há guerra, nem violência (os índices de homicidos são os mais baixos da America latina) os solados estão lá como policias apenas.

Perguntei a soldados brasileiros porque estavam lá, pois nem sequer dominam o Crioll , para se comunicar com a população. A única resposta que obtive foi de que se saírem, entrarão os americanos, que são muito mais violentos!

O povo do Haiti não precisa de soldados armados. O povo do Haiti precisa de solidariedade para desenvolver as forças produtivas de seu território e produzir os bens que precisam para sair das imensas necessidades que padecem.

O povo do Haiti precisa de apoio para ter energia elétrica, para ter uma rede de gás de cozinha e evitar o desmatamento. Precisa de uma rede de água potável e de escolas em todos os níveis, em todos os povoados. Precisam de sementes e ferramentas. O resto eles sabem muito bem como fazer. Estão lá desde 1804, como povo liberto, sobrevivendo e se multiplicando apesar de tantos espoliadores estrangeiros.

Felizmente, há outras visões no relacionamento com o povo do Haiti. O governo da Bahia enviou cisternas para armazenar água da chuva, que o povo de lá é muito grato. A Petrobras nos ajudou a trazer 77 jovens camponeses para estudarem agro-ecologia no Brasil. A igreja catolica de Minas gerais fez uma coleta especial em todas as paróquias que agora financia projetos de desenvolvimento agrícola por lá, desde hortas, caprinocultura, criação de galinhas e multiplicação de sementes.

E os movimentos sociais da Via campesina Brasil, com os poucos recursos que temos, mantemos uma brigada permanente de jovens voluntários há mais de 6 anos, no Haiti, que estão desenvolvendo projetos de agricultura, de cisternas e de educação.

Anotem, o povo do Haiti tem raiva das tropas da Minustah. Se as Nações unidas, quisessem enviar soldados, poderiam ter seguido exemplo do Equador e da Venezuela: seus soldados não andam armados, e estão construindo casas, estradas e armazens. Ou seguir o exemplo de Cuba que mantém por lá mais de 5 mil médicos voluntários, alias o único serviço publico de saúde que existe no país, realizado por esses médicos humanistas, que dão exemplo da pratica do socialismo.

Acho que nossa obrigação como irmãos do povo Haiti, é seguir protestando e pedindo que as tropas se retirem do Haiti, como não desejaríamos que estivessem no Brasil ou qualquer país do mundo. E seguir apoiando, com projetos de desenvolvimento econômico e social.

terça-feira, 2 de abril de 2013

Canción del Sainete Póstumo

Uma sugestão do professor e amigo cubano, Dr. Luís Bello, que me mantém informado acerca das novidades da querida e amada Havana, em Cuba.


Canción del Sainete Póstumo
De Rubén Martínez Villena

Rubén Martínez Villena



Yo moriré prosaicamente de cualquier cosa.
El estomago, el hígado, la garganta, el pulmón.
Y como buen cadáver descenderé a mi fosa envuelto en un sudario santo de
compasión.
Aunque la muerte es algo que diariamente pasa. Un muerto inspira siempre cierta
curiosidad.
Así, llena de extraños abejeará la casa y estudiará mi rostro toda la vencidad.
Luego, será el velorio. Desconocida gente, ante mis familiares inertes de llorar,
con el recelo propio del que sabe que miente recitará las frases del pésame
vulgar.
¿Tal vez una beata?, neblinosa de sueño, mascullará el rosario mirándose a los
pies. Y acaso los más viejos me fruncirán el seño al calcular su turno más próximo
después.
Brotará la hilarante virtud del disparate o la ingeniosa anécdota llena de
perversión. Y las apetecidas tazas de chocolate serán sabrosas pausas en la
conversación.
Los amigos de ahora, para entonces dispersos, reunidos junto al resto de lo que
fue mi yo, constatarán la escena que prevén estos versos y dirán en voz baja, todo
lo presintió.
Y ya en la madrugada, sobre la concurrencia, gravitará el concepto solemne del
jamás, vendrá luego el consuelo de seguir la existencia y vendrá la mañana, pero
tú, no vendrás.
Allá, donde vegete felizmente tu olvido, felicidad bien lejos de la que pudo ser,
bajo tres letras fúnebres, mi nombre y apellidos dentro de un marco negro te harán
palidecer.
Y te dirán ¿Qué tienes? Y tú dirás que nada. Mas te irás a tu alcoba para disimular
me llorarás a solas con la cara en la almohada y esa noche tu esposo no te podrá
besar.



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Pensamento econômico e conflitos de classe


Pensamento econômico e conflitos de classe

Há mais coisas entre a luta de ideias e os interesses econômicos do que sonham os jornalões brasileiros. Os conflitos entre escolas de pensamento, entre o governo e a oposição, são, sim, expressão de um conflito de classes e de frações de classe. A história recente do Brasil não é, de modo algum, a história da luta de ideias – econômicas ou outras
02/04/2013
Armando Boito Jr.*
Especial para o Brasil de Fato

I
Está ficando cada vez mais claro para um número crescente de observadores que há uma disputa no interior do Estado brasileiro e na cena política nacional entre duas correntes de pensamento econômico. De um lado, os neodesenvolvimentistas, predominantes no governo Dilma, e, de outro, o pensamento econômico monetarista ou neoliberal ortodoxo, que ainda reina absoluto na grande imprensa escrita e nas emissoras de rádio e de televisão.
O que ainda não está claro para muitos observadores é que essas correntes de opinião econômica ou de escolas de pensamento vocalizam, na luta de ideias, interesses de diferentes frações da burguesia que, por sua vez, contam com aliados ou apoiadores em diferentes setores das classes populares. Ou seja, que a luta de ideias repercute e participa, de maneira complexa, dos conflitos de classe que atravessam a sociedade brasileira.