terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Snowden envia Carta ao Povo Brasileiro

Snowden, disparado, é a personalidade política do ano de 2013. Responsável por concretizar algo que todo mundo imaginava, mas não havia provas, até então. Pelo menos com tantos detalhes.

E renova o flanco na luta anti-imperialista e contra a espionagem.

Vi a carta traduzida na Folha de São Paulo e compartilho abaixo.

CARTA ABERTA AO POVO DO BRASIL
EDWARD SNOWDEN

Snowden


Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista. Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.
Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco. O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.
Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado. A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.
Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.
A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria "segurança" --em nome da "segurança" de Dilma, em nome da "segurança" da Petrobras--, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.
Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.
Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.

domingo, 15 de dezembro de 2013

E, de repente, a Venezuela desaparece da grande mídia!

Boa sacada do Max Altman. Vi no sítio da Revista Fórum (Link) e reproduzo aqui. São boas as notícias e a revolução segue na Venezuela!
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Presidente Nicolás Maduro

Notaram que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa?

Por Max Altman
Crucial vitória de Nicolás Maduro, do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e da Revolução Socialista Bolivariana; contundente derrota de Henrique Capriles, da MUD e dos setores golpistas de oposição; agora a atacar e resolver os problemas da economia e avançar nas conquistas sociais.
“Dedicaram-se, durante todo o ano de 2013 e, principalmente, após a morte de Chávez, a sabotar a economia, a sabotar o sistema elétrico, à desestabilização, ao caos, à guerra psicológica. Trataram de converter eleições municipais em plebiscito. E o que ocorreu: o triunfo da Revolução Socialista Bolivariana derrotou os planos golpistas da direita.”  Nicolás Maduro
Notaram, meus caros amigos e amigas, que o noticiário sobre a Venezuela desapareceu da grande imprensa quando antes do 8 de dezembro enchiam suas páginas vaticinando a ‘débâcle’ do governo Maduro pelos inúmeros enviados especiais e correspondentes?
Disseram que era um plebiscito e foram com tudo. Os oligarcas são sempre insolentes. Ainda mais se são apoiados pelos Estados Unidos. Contavam que o empurrão definitivo para derrocar Maduro viria com o 8 de dezembro. Estavam cuidando dessa tarefa fazia meses. Remarcação de preços de todos os produtos muito acima da inflação, provocando desespero na população, desabastecimento induzido, sabotagem elétrica, açambarcamento, insegurança. (E mais erros do próprio governo, que as manchetes gritantes dos jornais, rádios e televisão punham em evidência). O mesmo cenário que se havia preparado para Salvador Allende antes do golpe de 1973. Desde os Estados Unidos, Roger Noriega escreveu e descreveu a tese do colapso total, que seria arrematado oportunamente, quando a situação ficasse insustentável, pelo exército norte-americano. Que a Venezuela tem demasiado petróleo. Parte importante da oposição estava de pleno acordo com esse roteiro. Por fim, o chavismo aniquilado. Fim do pesadelo. Malditos vermelhos.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

Uma homenagem a Ricardo Brindeiro

Ricardo Brindeiro
Na semana passada fui surpreendido com a notícia da morte do companheiro Ricardo Brindeiro. Com pouco contato, principalmente desde que vim morar em Petrolina, Ricardo é daqueles que admiro à distância. Grande lutador de nosso povo. Deixo abaixo um texto do Alder Júlio e um grande abraço para Ana Gusmão, Matheus, familiares e amigxs.


RICARDO BRINDEIRO, UM MILITANTE AMOROSO
 
Alder Júlio Ferreira Calado
 
 
Ricardo Brindeiro segue vivo entre nós, após sua grande viagem à Casa do Pai/Mãe, em cujos braços é acolhido, e com a festiva recepção de tanta gente querida que nos precedeu: Dom Oscar Romero, Dom Helder (que lhe ministrou as primeiras ordens menores), Margarida Maria Alves, Pe. José Comblin, Éliton Santana e tantas outras figuras venerandas.
 
Partiu, em sua grande viagem, aos seus densamente bem vividos 61 anos, ele que nasceu, em Recife, no dia 15 de agosto de 1952, numa família católica de classe média. Desde cedo, já revelava sinais de seu apreço à liberdade e de seu amor às pessoas, em especial aos pobres.
 
Em tenra juventude, experimentou um duplo apelo: à militância e à mística. Uma militância multiforme: nas pastorais sociais, no movimento estudantil, na política partidária, nos movimentos populares, nas organizações de base de nossa sociedade. De início, engajou-se em grupos de jovens da Igreja Católica. Depois, na militância estudantil universitária, em seu curso de Arquitetura, na UFPE, apoiando ou participando de campanhas de chapas do DCE.
 
Quanto ao apelo à mística, antes mesmo de sua tocante experiência de estudos no ITER (Instituto de Teologia do Recife), passa por uma repentina aventura: sem nada dizer em casa, põe-se a viajar mundo afora, indo parar em Óbidos – PA, em busca de uma experiência num Seminário franciscano. Durou pouco tempo. Mais tarde, quis vivenciar uma experiência ecumênica, tendo sido acolhido pelo conhecido monge Michel Bergman e demais irmãos na Comunidade de Taizé, em Alagoinhas, na Bahia. Tempo de fecundo encontro com Deus, nos irmãos. Aí também chegou a contribuir como arquiteto, projetando a capela desta Comunidade.
 
Foi, porém, no Instituto de Teologia do Recife (ITER), onde vem a ter o auge de sua experiência de formação teológica, tendo sido inspirado por figuras docentes como Humberto Plummen, René Guerre, Ivone Gebara, Sebastião Armando, Eduardo Hoornaert, Marcelo Augusto, além de tantos colegas de ITER espalhados por esse Nordeste, inclusive aqui em João Pessoa, a exemplo do Pe. Antônio Paulo Cabral de Melo.
 
Estudando no ITER, não abriu mão de morar e trabalhar intensamente com a Comunidade da Favela Brasília Teimosa, onde, pela imposição das mãos de Dom Helder, chegou a receber as Ordens Menores, tendo depois decidido seguir outras trilhas de militância junto ao povo dos pobres.
 
Vivia-se, no Brasil, um período de intensa efervescência dos movimentos populares, na qual a chamada “Igreja na Base” tinha um lugar de destaque, seja pela densa atuação das CEBs, das pastorais sociais (CIMI, Pastoral da Terra, Pastoral Operária, Pastoral da Juventude do Meio Popular e outras), do CEBI. Duas participações de Ricardo aí merecem destaque: sua contribuição, na área musical, no processo de elaboração do Ofício das Comunidades e de outros cantos litúrgicos, com Pe. Reginaldo Veloso e o o pessoal do Morro da Conceição. Também, ele conta com entusiasmo sua participação ao lado de várias figuras que atuaram na famosa Missa dos Quilombos, em começos dos anos 80.
 

Capriles sofre derrota em "plebiscito" na Venezuela

Latuff sobre a função social de Capriles na Venezuela
Venezuela: la derrota del “plebiscito” de Capriles

Por Juan Manuel Karg
Licenciado en Ciencia Política UBA
Investigador del Centro Cultural de la Cooperación

Los resultados de la elección del pasado domingo en Venezuela significaron un nuevo triunfo para el Partido Socialista Unido de Venezuela y sus aliados. Estos conquistaron, según el primer parte informativo del Consejo Nacional Electoral, 5.111.336 de votos, es decir el 49,24% de los sufragios emitidos, frente a los 4.435. 097 de votos (42,72%) de la Mesa de Unidad Democrática (MUD).

Si bien la oposición efectivamente ganó en importantes distritos (Alcaldía Mayor de Caracas, Maracaibo, Barinas, entre otras), el primer análisis que debe hacerse es que los resultados del domingo han sido una dura derrota para el ex candidato presidencial Henrique Capriles, quien a lo largo de estos últimos meses intentó “centralizar” una elección de por sí descentralizada -ya que se votaban alcaldías y concejales-. La diferencia de “votos globales” de acuerdo al primer parte del CNE -676.239 votos a favor del PSUV y sus aliados- ha dañado el intento de Capriles, quien se había propuesto ganar en la sumatoria de votos a nivel país, para demostrar de esta forma que el chavismo había perdido la mayoría del apoyo popular (algo que, finalmente, no sucedió).

El PSUV ganó importantes alcaldías, como Municipio Libertador (Caracas), con el 54% de los votos; Bolívar (Anzóategui), 52%; San Fernando (Apure), 65%; Girardot (Aragua), 51%; Heres (Bolívar), 47%; Ezequiel Zamora (Cojedes), 54%; Tucupita (Delta Amacuro), 54%; Guaicaipuro (Miranda), 52%; Guanare (Portuguesa), 70%; Sucre (Sucre), 54%; Trujillo (Trujillo), 53%; San Felipe (Yaracuy), 49%; y Vargas (Vargas), 54%. En todos estos casos, como se ve por los porcentajes alcanzados, los triunfos han sido inobjetables.

¿Cómo se explican estas cifras en un país que viene sufriendo diversos intentos de desestabilización, tanto a nivel económico como político? El PSUV y sus aliados llegaron a esta contienda con un elemento favorable, que indudablemente incidió en el global de votos: la “ofensiva económica” que el gobierno de Maduro decidió implementar con el combate a la especulación y el posterior fomento de medidas para la baja de precios en diversas tiendas. Estas medidas, a contrapelo de lo que informaron algunos medios de comunicación hegemónicos de nuestro continente, fueron vistas con buenos ojos por las mayorías populares venezolanas.

Por otro lado la derrota en Barinas, capital del Estado natal de Hugo Chávez, ha sido probablemente la peor noticia de la elección para el chavismo. Allí, disputas internas dentro del PSUV fomentaron la aparición de dos candidaturas: ambas fueron derrotadas por el candidato de la MUD, José Luis Machín, quien se impuso con el 50%. Durante su discurso en la noche del domingo, el propio Nicolás Maduro hizo referencia a este caso, al afirmar que era necesaria la “unidad” en las filas de la Revolución Bolivariana, para evitar que casos como éste se repliquen.

Vista como una totalidad, como planteaba la propia MUD antes de la misma, la elección del pasado domingo es la segunda victoria del PSUV luego de la muerte de su fundador, Hugo Chávez, y la cuarta derrota consecutiva del armado electoral que encabeza Henrique Capriles en sólo 14 meses. La MUD no ha podido vencer en su propio terreno: el de intentar “plebiscitar” la elección. Capriles deberá afrontar ahora una situación de inestabilidad como conductor de este armado, al emerger nuevamente en la "arena política" personajes que sí han vencido el pasado domingo (Ledezma, por ejemplo). Se abrirá, así, una etapa de convulsiones dentro de la propia MUD, entre perdedores y ganadores de esta elección

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sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nelson Mandela e Fidel Castro

Do sítio OperaMundi

Foram quase três décadas na prisão. Quando Nelson Mandela, enfim, conseguiu sua liberdade, uma das prioridades foi visitar outro revolucionário, só que da América Latina: Fidel Castro.  O encontro aconteceu em Havana, em 1991, quando o líder sul-africano fez questão de ressaltar sua admiração e respeito pelo cubano.

“Você ainda não veio para o nosso país. Quando virá?”, perguntou Madiba, em tom de brincadeira.

Agência Efe

Fidel e Mandela em 1998, na África do Sul


Quando Mandela desembarcou em Cuba nessa ocasião, os cubanos saíram às ruas, maciçamente, para receber o líder sul-africano. Alías, Madiba recebeu das mãos de Fidel o título de honra do estado cubano, que é considerada uma das maiores condecorações do país. "Se você perguntar para qualquer cubano quem Mandela é, ele provavelmente vai te colocar ele como um dos mais importantes homens da história da humanidade."


Em Cuba, se comemora no dia 18 de julho o "Dia Internacional de Nelson Mandela". A revolução cubana em 1959, dizem historiadores, foi inspiração para o jovem Mandela. Mais tarde, em 1970, quando o exército cubano treinou e deu suporte às Forças Armadas Populares de Libertação de Angola durante a guerra civil local, os revolucionários se aproximaram, estreitando laços - de admiração sobretudo -, que até o último dia do líder africano permaneceram intactos.

Em 1994, como primeiro presidente negro da história da África do Sul, Madiba recebeu Fidel e retribiu as gentilezas dos anos anteriores. "O que Fidel Castro fez por nós é difícil descrever em palavras", disse Mandela na cerimônia de posse. "Na luta contra o Apartheid, ele não hesitou em nos dar toda a ajuda necessária. Agora que estamos livres, temos muitos médicos cubanos trabalhando aqui no nosso país", disse, agora emocionado pela ajuda cubana.


Logo após a posse de Mandela em 1994, Cuba e África do Sul assinaram o primeiro tratado entre os países, estabelecendo formais relações diplomáticas. 




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sábado, 30 de novembro de 2013

O que realmente interessa saber sobre o Colesterol

Achei que nunca iria gostar de um texto do Drauzio Varella. Eu me enganei. 

Sugiro a leitura do artigo abaixo sobre um tema que deve vir cada vez mais à tona com outros problemas e medicamentos.

Boa leitura!


A agonia do colesterol

Nunca me convenci de que essa obsessão para abaixar o colesterol às custas de remédio aumentasse a longevidade de pessoas saudáveis.

Essa crença --que fez das estatinas o maior sucesso comercial da história da medicina-- tomou conta da cardiologia a partir de dois estudos observacionais: Seven Cities e Framingham, iniciados nos anos 1950.

Considerados tendenciosos por vários especialistas, o Seven Cities pretendeu demonstrar que os ataques cardíacos estariam ligados ao consumo de gordura animal, enquanto o Framingham concluiu que eles guardariam relação direta com o colesterol.

A partir dos anos 1980, o aparecimento das estatinas (drogas que reduzem os níveis de colesterol) abafou as vozes discordantes, e a classe médica foi tomada por um furor anticolesterol que contagiou a população. Hoje, todos se preocupam com os alimentos gordurosos e tratam com intimidade o "bom" (HDL) e o "mau" colesterol (LDL).

As diretrizes americanas publicadas em 2001 recomendavam manter o LDL abaixo de cem a qualquer preço. Ainda que fosse preciso quadruplicar a dose de estatina ou combiná-la com outras drogas, sem nenhuma evidência científica que justificasse tal conduta.

Apenas nos Estados Unidos, esse alvo absolutamente arbitrário fez o número de usuários de estatinas saltar de 13 milhões para 36 milhões. Nenhum estudo posterior, patrocinado ou não pela indústria, conseguiu demonstrar que essa estratégia fez cair a mortalidade por doença cardiovascular.

Cardiologistas radicais foram mais longe: o LDL deveria ser mantido abaixo de 70, alvo inacessível a mortais como você e eu. Seríamos tantos os candidatos ao tratamento, que sairia mais barato acrescentar estatina ao suprimento de água domiciliar, conforme sugeriu um eminente professor americano.

Pois bem. Depois de cinco anos de análises dos estudos mais recentes, a American Heart Association e a American College of Cardiology, entidades sem fins lucrativos, mas que recebem auxílios generosos da indústria farmacêutica, atualizaram as diretrizes de 2001.

Pasme, leitor de inteligência mediana como eu. Segundo elas, os níveis de colesterol não interessam mais.

Portanto, se seu LDL é alto não fique aflito para reduzi-lo: o risco de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral não será modificado. Em português mais claro, esqueça tudo o que foi dito nos últimos 30 anos.

A indústria não sofrerá prejuízos, no entanto: as estatinas devem até ampliar sua participação no mercado. Agora serão prescritas para a multidão daqueles com mais de 7,5% de chance de sofrer ataque cardíaco ou derrame cerebral nos dez anos seguintes, risco calculado a partir de uma fórmula nova que já recebe críticas dos especialistas.

Se reduzir os níveis de colesterol não confere proteção, por que insistir nas estatinas? Porque elas têm ações anti-inflamatórias e estabilizadoras das placas de aterosclerose, que podem dificultar o desprendimento de coágulos capazes de obstruir artérias menores.

O argumento é consistente, mas qual o custo-benefício?

Recém-publicado no "British Medical Journal", um artigo baseado nos mesmos estudos avaliados pelas diretrizes mostrou que naqueles com menos de 20% de risco em dez anos as estatinas não reduzem o número de mortes nem de eventos mais graves. Nesse grupo seria necessário tratar 140 pessoas para evitar um caso de infarto do miocárdio ou de derrame cerebral não fatais.

Ou seja, 139 tomarão inutilmente medicamentos caros que em até 20% dos casos podem provocar dores musculares, problemas gastrointestinais, distúrbios de sono e de memória e disfunção erétil.

A indicação de estatina no diabetes e para quem já sofreu ataque cardíaco, por enquanto, resiste às críticas.

Se você, leitor com boa saúde, toma remédio para o colesterol, converse com seu médico, mas esteja certo de que ele conhece a literatura e leu com espírito crítico as 32 páginas das novas diretrizes citadas nesta coluna.

Preste atenção: mais de 80% dos ataques cardíacos ocorrem por conta do cigarro, vida sedentária, obesidade, pressão alta e diabetes. Imaginar ser possível evitá-los sentado na poltrona, às custas de uma pílula para abaixar o colesterol, é pensamento mágico.

terça-feira, 26 de novembro de 2013

Honduras y un fraude que exige urgente respuesta

por Carlos Aznárez



Era mundialmente conocido que durante los últimos meses, todas las encuestas, inclusive las de la oposición mostraban que el triunfo de la candidata del Partido Libre era irreversible. Xiomara Castro, acompañada por verdaderas movilizaciones multitudinarias había recorrido el país y a su paso no sólo recibía el júbilo clamoroso de sus seguidores, sino todo tipo de improperios por parte de la derecha oficialista. Estos últimos gestos respondían, sin duda, a la contundencia del apoyo popular para el Partido Libre, que prácticamente aseguraban su triunfo.

Sin embargo, las previsiones de fraude no dejaban de ser una amenaza. Lo recordaban ayer mismo varios de los observadores internacionales que con el correr de las horas y al ver que el Tribunal Supremo Electoral (TSE) ocultaba miles de actas y consagraban "manu militari" el triunfo al candidato oligárquico Juan Orlando Hernández,  se desesperaban para investigar en qué "Tríangulo de las Bermudas" habían desaparecido esas decenas de miles de votos para Xiomara que cada uno de los fiscales de Libre habían visto en el conteo urna por urna. Incluso, otro de los candidatos, Salvador Nasrala, del Partido Anti-Corrupción, ya ha anunciado su desconocimiento de los resultados emitidos por el TSE, debido a lo descarado del fraude existente.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Eleições decisivas para a resistência popular Hondurenha

Compartilho abaixo texto do companheiro Ronaldo T Pagotto sobre a importante eleição presidencial em Honduras neste fim de semana.



Passados 4 anos do golpe militar que derrubou Mel Zelaya, após uma longa marcha de resistência, a luta popular participará ativamente das eleições gerais no próximo dia 24 de novembro. Alguns desafios e perspectivas da luta em Honduras.

O dia quase amanhecendo, domingo, pouco antes das 5 da manhã, foi possível ouvir uma rajada de tiros atingir algo de metal. Em seguida vozes, passos apressados, uma porta arrombada e o casal preso, no quarto do lado a filha. Zelaya, de pijama, assiste sua filha ser conduzida em trajes íntimos. Humilhado.
O plano original sofre um ajuste na última hora, resultado de um impasse nas FFAA. De um lado os militares com a ordem de execução, do outro, soldados que não concordaram com a missão de matar um presidente legitimamente eleito. O impasse foi resolvido com a alternativa de converter aquela execução em um sequestro, conduzido a Base Militar de Palmerola, posteriormente seguido do envio do presidente – ainda de pijamas – para a Costa Rica. Sua família fica em Honduras, e são as primeiras vozes de resistência.
Na mesma manhã a Ministra das Relações Exteriores, Patrícia Rodas, juntamente com o Embaixador Cubano, foram presos e maltratados. O embaixador da Venezuela também foi agredido. A internet foi suspensa, o canal de TV estatal sai do ar e garantiram o clima de golpe.
A base militar de Palmerola, cedida aos USA desde o final da década de 1970, preparou e deu apoio logístico ao voo do presidente. O embaixador dos USA, Hugo Llorens, conhecido da América Latina (fora sequestrado de Cuba ainda menino na Operação Peter Pan, e lá se formou como um Anti-Cuba ferrenho e ligado a CIA) estivera mediando diálogos – supostamente para negociar com os polos da tensão - e paralelamente articulava a derrubada de Zelaya. A ele não interessava a aproximação de Honduras com Cuba e Venezuela, nem via com bons olhos o crescimento da mobilização popular naquele que sempre fora uma área especial de influência gringa.

sábado, 16 de novembro de 2013

Defender Joaquim Barbosa: ingenuidade ou má fé mesmo

Foto do Portali9
Aécio Neves e Antônio Anastasia (PSDB) premiando o amigo Joaquim Barbosa.

Que Joaquim Barbosa é arrogante e prepotente ninguém pode negar,certo? Mas o que tem chamado a atenção, desde que pipocou com força questões relacionadas ao julgamento da AP 470, o do suposto mensalão, é a forçosa tentativa de transformá-lo num herói orquestrada e tocada pela grande imprensa e que se reflete em um ou outro por aí.

Grande exemplo disto que falei foi a campanha extensa para popularizar a máscara do Joaquim Barbosa durante o carnaval de 2013. E a verdade é que foi um verdadeiro FRACASSO. Rodei por todo o carnaval de Olinda e Recife em alguns dias e não vi NENHUMA máscara dele. Amigos daqui e de outros estados, como o Rio de Janeiro, fizeram referências parecidas.

Até publiquei aqui no blog, no dia 11/02/13, um comentário especificamente sobre isso que pode ser acessado no link que segue:

A "novidade" agora é toda a notoriedade que buscou conquistar com a prisão de alguns dos envolvidos no julgamento. Não tenho dúvidas de que a história mostrará todos os interesses envolvidos neste processo.

Joaquim Barbosa sendo carinhoso com algum jornalista
O fato é que denúncias recaem sobre este senhor, mas a grande mídia e representantes da direita brasileira fingem ignorar e continuam a propalar a imagem do 'herói". Para mim cabem duas possibilidades nesta situação:

Ou estamos falando de ingenuidade verdadeira ou de má fé. Não há como ser diferente.

Transcrevo abaixo uma postagem de Stanley Burburinho sobre o Joaquim Barbosa:




2 - No mesmo dia 10/05/2012, Joaquim Barbosa abre em Miami a empresa Assas JB Corp, que ele se declarou presidente, o que é proibido por lei, e deu o endereço de contato o endereço do apartamento funcional do STF que nóspagamos. Isto é, ele terá lucro com a empresa de Miami usando recursos da União sem pagar por isso. Veja aqui o documento oficial do Estado da Flórida sobre a empresa: http://search.sunbiz.org/Inquiry/CorporationSearch/SearchResultDetail/EntityName/domp-p12000044121-42bd6d68-4e0e-4a63-978a-29d568f74b86/Assas%20JB%20Corp/Page1

3 - No dia 14/05/2012, 4 dias depois de Joaquim Barbosa anunciar o relatório do "mensalão" e abrir a empresa, ele compra um apartamento em Miami avaliado em R$ 1 milhão, mas segundo o cartório de lá, ele só pagou US$10(dez dólares). Veja o documento oficila do cartório de Miami- http://ocafezinho.com/wp-content/uploads/2013/07/ScreenHunter_2132-Jul.-22-16.37.jpg

4 - Joaquim Barbosa disse na imprensa que não dará explicações sobre a tal empresa em Miami nem sobre o apartamento nem como enviou os US$ para pagar o apartamento.


Mas será que veremos isso na grande mídia ou nos perfis da direita em nosso país? Dificilmente.

Cabe ao PT, a despeito da correlação de forças ainda díficil em nossa sociedade e dentro do governo, saber encarar esta grande mídia. E não é um discurso esquerdista. Basta escutar pessoas como o Franklin Martins e pôr limite em gente como Paulo Bernardo. Não é tarefa simples. O que não dá é para continuar desta maneira.

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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Financiamento Público de Campanha Já!

Reproduzo abaixo texto da jornalista Cynara Menezes, da Carta Capital, pela precisão na análise.

Li no blog dela: Socialista Morena


Por que prender Zé Dirceu não vai mudar o Brasil. Ou: é o financiamento público de campanha, estúpido!
Não vejo como algo “normal” que o PT tenha feito caixa 2 para eleger Lula em 2002. Não acho “normal” que o PT, partido que cresceu prometendo ser diferente dos demais, tenha agido igualzinho aos outros. Sim, acho justo que políticos comecem a pagar por estes erros. Mas não, não acho que a prisão de José Dirceu é, como pinta a grande imprensa, um acontecimento capaz de mudar toda a maneira como se faz política no Brasil. Como se a prisão de uma só pessoa fosse uma espécie de derrubada das torres gêmeas da corrupção. Isso é mentira, um artifício para manipular o eleitor contra o PT e encobrir algo muito maior que Dirceu.
Escrevo para você, vítima do mau jornalismo de veículos que colocam o ex-ministro da Casa Civil de Lula na capa, com ares de demônio, e promovem biografias mal-escritas (leia aqui e aqui) onde Zé Dirceu é pintado como “o maior vilão do Brasil”. Você, que se empolga com as manifestações quando elas ganham espaço na mídia, mas não vai a fundo nas questões quando passa a modinha. Você, que repete chavões ouvidos no rádio e na televisão contra a corrupção, embora ache política um assunto chato e fuja de leituras mais aprofundadas sobre as razões pelas quais a tal roubalheira existe. Eu vou tentar te explicar.
Zé Dirceu e os “mensaleiros”, ao contrário do que estes orgãos de desinformação tentam lhe convencer, não são a causa da corrupção na política, mas a consequência dela. Infelizmente, no Brasil, para eleger um político é preciso ter dinheiro, muito dinheiro. E é preciso fazer alianças com Deus e o Diabo. Não foi Zé Dirceu que inventou isso, é a forma como a política é feita no País que leva a essa situação. As campanhas são financiadas com dinheiro de empresas, bancos, construtoras. Você daria milhões a um político? E se desse, não ia querer nada em troca? Para você ter uma ideia de como são as coisas, o verdadeiro erro do PT neste episódio foi não declarar, nas prestações de contas eleitorais, que estava dando dinheiro para outro partido. Declarando, dar dinheiro a outro partido é perfeitamente legal, imagine!

domingo, 10 de novembro de 2013

FAZENDA MILANO: da Glória ao fracasso da execução judicial

Segue abaixo importante texto de Jaime Amorim, dirigente do MST, sobre a ocupação da Fazenda Milano em Santa Maria da Boa Vista - PE.

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No ultimo dia 23 de outubro 1.500 famílias ocuparam a fazenda Milano no município de Santa Maria da Boa Vista de mais de 2.200 Hectares de Propriedade de uma empresa do Sr  José Gualberto, que também é vice Prefeito do município. Desde a ocupação, o diretor proprietário  e gerente da Empresa vêm tentando politizar o fato da ocupação, tentando convencer a sociedade de que as famílias acampadas e o MST ocuparam a sua fazenda como uma ação politica eleitoral. Ora, ele sabe como também informamos a prefeita, que a ocupação estava para ser realizada em abril, mas adiamos justamente para não se configurar como uma ação eleitoral ou que pudesse atrapalhar o processo conturbado que foi as eleição suplementar  do município. Lembrando nas eleições de 2012, Gualberto foi candidato a prefeito e foi derrotado, a eleição foi anulada e  em uma nova configuração de alianças partidária, ele foi candidato a vice  da prefeita que venceu as eleições.

A Fazenda Milano, esta localizada as margens da estrada da Reforma Agrária  onde há uma área de concentração de assentamentos as margens do Rio São Francisco. Nesta região algumas fazendas que também já foram importantes, como empresa agropecuária, faliram e foram desapropriadas  e hoje são assentamentos da Reforma Agrária, como: a fazenda Safra da Etti, a Fazenda Varig, da Varig, a fazenda Ouro Verde, dos japonês; a fazenda Catalunha da OAS, a fazenda Brilhante, da agropecuária brilhante entre outras.  Neste processo a fazenda Milano, localizada no centro da estrada da reforma agrária. sempre serviu como base de apoio da reação conservadora contrária à reforma agrária.

Em Agosto de 1995, quando foi realizada a ocupação da fazenda safra, com 2.204, a primeira ocupação desta região e a maior ocupação realizada no estado de Pernambuco, a fazenda Milano contratou um grupo de pistoleiros bem armados e estruturado coordenado, pelo famoso matador muito conhecido na região chamado de “Exú”, para combater as ocupações, e eliminar lideranças do movimento. No entanto a ocupação da Safra foi vitoriosa e  em função do forte conflito na região o INCRA acelerou o processo de desapropriação das fazendas e empresas improdutivas, para assentamentos das famílias acampadas. Hoje na estrada da Reforma Agrária, estão assentadas mais de 2.500 famílias, e Santa Maria da Boa Vista é o município do estado com mais famílias assentadas.
A fazenda Milano já teve sua importância, nos “tempos de glória” do dinheiro fácil  do FINOR, da SUDENE, e das facilidades de financiamento do fundo constitucional do Nordeste gerenciado pelo BNB. Neste período, com as facilidades  de financiamentos públicos, a fazenda Milano viveu a nostalgia de ser uma empresa de ponta, como produtora de uva. O vinho Botticelli era apresentado como resultado da grande riqueza produzida nessa região, a fazenda era tida como “topo de linha” na produção de uva e de vinho, com alta tecnologia, alta produtividade gerando entusiasmo em empresários de outras regiões do Brasil e de outras partes do mundo. A fama da fazenda Milano de um lado abria cada vez mais espaços para novos financiamentos, sempre justificado como inovação tecnológica, e de ser promotora de um novo processo de desenvolvimento da região baseado na fruticultura irrigada, na alta tecnologia que permitia a produção de uva irrigada no semiárido, na monocultura agroexportadora, e na agro industrialização da uva transformada em vinho.
Por outro lado, esta mesma riqueza gerava uma massa de milhares de assalariado que viviam do subemprego promovido pelas empresas agropecuária, como uma excessiva carga horária, trabalhos forçados e expostos a agrotóxicos e adubação química. Esta precariedade do trabalho de uma massa de assalariado rural, em sua grande maioria se concentrava na cidade de Lagoa Grande, Santa Maria e nos bairros pobres de Petrolina, se sujeitando ao trabalho de madrugada à noite, transportado em caminhões precários, levou grande parte desses trabalhadores a lutar pela Reforma Agrária, com uma alternativa de trabalho, de produção, e de vida.
O modelo Milano baseado na alta produtividade no financiamento público e na produção para exportação, com  alta tecnologia e por outro lado  alto custo de produção, principalmente nos quesitos: água, energia elétrica e insumos, somado a isso: A ostentação da riqueza, o mal gerenciamento levou esta fantasia a falência, e consequentemente a ocupação pelos trabalhadores sem terra revindicando sua desapropriação e transformando em assentamento da Reforma Agrária.
Durante a reunião realizada em Recife no dia 07/11/2013, onde estavam presentes três secretários de estado, o superintendente do INCRA, e representante da prefeitura de Santa Maria da Boa Vista e o Movimento Sem Terra, quando duas questões estavam colocadas na mesa como centrais: de um lado, o MST exigia que o INCRA cumprisse o acordo firmado em abril deste ano, de desapropriar a fazenda Milano para fins de Reforma Agrária, e do outro lado o governo do estado tinha em mãos um decreto de reintegração de posse expedido pelo juiz da comarca de Santa Maria da Boa Vista, para ser cumprido. No entanto nenhuma das duas questões foram discutidas, pois, a informação que veio para o centro da negociação foi o processo da justiça federal de execução  da fazenda Milano. Ha um processo final de execução tramitando na justiça federal a pedido da fazenda nacional, por conta de dívidas das empresa com a União Federal.
O fato escancarou o que todos já sabiam, mas que poucos tinham a informação em dados. A  Milano deverá em muito pouco tempo ser executado e abjudicado a favor do INCRA para que possa então criar assentamento da Reforma Agrária. Peritos da justiça federal, consta no processo de execução, avaliaram a fazenda Milano em 12 milhões de reais, no entanto ninguém soube informar na mesa de reunião, o valor atual das dívidas da empresa, dividas com o governo federal, estadual e com o município. Estima-se apenas que as dívidas com bancos públicos INSS e ministério do trabalho ultrapassam a 75 milhões de reais. Portanto, sem contar as dividas com o governo estadual e municipal representa aproximadamente 6 vezes maior que seu capital.
Ao invés do Sr José Gualberto tentar vincular a ocupação da sua fazenda a uma ação política eleitoral e tentar vincular o cancelamento da festa da Uva da cidade de Lagoa Grande a ocupação de sua fazenda, deveria pedir desculpas ao povo de Lagoa Grande, de Santa Maria, e ao povo brasileiro, por tanta incompetência no (gerenciamento) das riquezas produzidas pelo povo  brasileiro.
A fazenda Milano transitou em poucos anos da modernidade da alta tecnologia, da alta produtividade, da manufatura do trabalho assalariado, para um modelo pré-capitalista, ou por que não dizer semifeudalista, tudo para tentar escapar da falência, para burlar as leis trabalhistas e a inadimplência bancaria. Subdividiu a manutenção da produção da uva, entre os seus empregados, utilizando das suas DAPs – Declaração de Aptidão do Trabalhador Rural, para contratar novos financiamentos e ainda cobrar renda da produção agrícola. Viver do arrendamento da terra, para quem vivia arrotando modernidade, e esteve na “ponta” da produção e da produtividade da uva e do vinho, é a exposição de incompetência  e do atraso nas relações trabalhistas.
Pela primeira vez na história mais recente da luta pela terra no Brasil, uma grande propriedade poderá ser destinada para reforma agrária, sem precisar passar pelo longo processo de desapropriação do INCRA. Durante a reunião a questão do despejo das famílias em que sonha o proprietário, não foi discutida, ate por que nossos advogados estão afirmando, que não cabe reintegração de posse em uma área em que o proprietário perdeu o domínio de sua posse e o Fórum local perdeu a competência sob este processo.
O mais importante agora é pensar que na antiga fazenda Milano vai ser criado mais um grande assentamento na estrada da Reforma Agrária, com mais de 200 famílias assentadas e Santa Maria da Boa Vista caminhando a passos largos para ser  um dos municípios com grandes potenciais, para um novo modelo de desenvolvimento de agricultura, baseada da produção de alimentos, na diversificação da produção e na democratização da terra.

Recife,10-11-2013
Jaime amorim
Direção do MST


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Espionagem e Reforma Política: o que temos com isso?

Acho que a conjuntura nunca me deu tantas tarefas como nos dias de hoje. E elas perpassam por todos os espaços: pelo meu trabalho na assistência à saúde, pelo meu trabalho como professor da Univasf, pela militância, vida pessoal, etc. E isso tem refletido no que tenho escrito. E o vazio no blog é reflexo desta realidade.

Mas o fato é que as mesmas tarefas têm apontado para a necessidade de voltar a escrever. Voltar a formular. E manter o blog ativo me ajuda. Então vamos tentar...

A conjuntura está pegando fogo. Acho que dois assuntos devem ganhar corpo mais ainda nos próximos meses. Nacionalmente a pauta é a necessária Reforma Política. De uma forma meio difusa, e até certo ponto
amorfa, as manifestações no Brasil têm apontado um certo limite nas conquistas sociais através do modelo político vigente. E os motivos são os mais diversos. Parece-me que a proposta mais consequente e que pode atingir de fato a raiz de muitos dos problemas é a chamada de uma Constituinte Exclusiva para a Reforma Política. E como na atual correlação de forças uma proposta como esta não parece que engrenará de forma espontânea, a construção de um Plebiscito Popular, bancada por diversos movimentos sociais e organizações, tem tudo para ganhar força, como apontei no início do parágrafo.

Plenária dos Movimentos Sociais
Este assunto deverá ter espaço garantido por aqui nos próximos meses.

O outro assunto atinge a todo o mundo. São as denúncias envolvendo a espionagem a cada um e cada uma de nós. E dia-a-dia, parece que somos mais frágeis e susceptíveis a interesses que passam pelo imperialismo estadunidense e pelas grandes empresas mundiais.  

Sobre este assunto, são inestimáveis as contribuições trazidas por pessoas como a Chelsea Manning, Edward Snowden e Julian Assange. E todo dia surgem novidades. Fatos que, antes até imaginados por alguns, passam a constar como verdades comprovadas.

Em defesa de Manning, Snowden e Assange!
Abaixo segue um texto que captei no sítio da Revista Fórum que trata com detalhes como nossos e-mails estão escancarados aos mais diversos interesses.

Boa leitura.

Saiba em detalhes como funcionam os dois programas de espionagem que recolhem a nossa informação na internet  e, em particular, como acessam seu Gmail
Por Alberto Sicilia, Principia Marsupia. Tradução de Luis Leiria para o Esquerda.net
Nas últimas semanas conhecemos muitos detalhes dos programas de espionagem do governo dos Estados Unidos através da sua Agência de Segurança Nacional (NSA).
Snowden revelou diversos programas de espionagem: escutas a líderes mundiais, coleta em massa de chamadas telefônicas, acordos entre agências de espionagem de diferentes países, etc.
Neste post vamos tentar explicar em detalhe como funcionam os dois programas de espionagem que recolhem a nossa informação na internet (e, em particular, como acessam ao Gmail).

domingo, 15 de setembro de 2013

O STF deve aceitar os embargos infrigentes?

A Conjuntura tá pegando fogo. Ap 470, criminalização dos movimentos sociais, Mais Médicos.

Mas por enquanto queria compartilhar aqui  um excelente artigo sobre os tão falados, nos últimos dias, Embargos Infringentes. Chegou-me por email, mas parece que foi publicado na Folha de São Paulo.

O corajoso Ministro Barroso

SIM

Questão de direito

O processo da ação penal 470 (mensalão) é complexo e controvertido, dada a quantidade e qualidade das pessoas envolvidas. Sua forte carga política produz visões emotivas e até apaixonadas, incompatíveis com um juízo de valor objetivo. Difícil saber se as condenações foram justas, quando não se tem acesso aos autos do processo.

Por isso, só entro nesse cipoal agora porque se trata apenas de questão de Direito, quanto a saber se cabem ou não embargos infringentes. Um pouco de história pode ajudar solucionar a dúvida.

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Mensagem para a Juventude Brasileira - Omar Cabezas

Copiei do recém-lançado blog do Juventude Sem Terra. Vale a pena acompanhá-lo!

O Vídeo é uma breve mensagem do Revolucionário Nicaraguense, e escritor do livro "A Montanha é algo mais que uma imensa estepe verde", para toda a Juventude Brasileira!




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segunda-feira, 5 de agosto de 2013

O impacto das manifestações de junho na política nacional

O tempo anda, mais do que nunca, curto. Ainda por cima neste momento político em que o Brasil apresenta sinais claros de uma retomada do ascenso dos Movimentos Sociais e do acirramento na Luta de Classes. Cabeça e militância andam a mil. E na medida do possível, o blog continua sendo um canal de diálogo interessante com amigos e amigas.

Por agora compartilho artigo do Armando Boito Jr publicado no Brasil de Fato. Tá muito bom!

Um abraço
Armando Boito Jr

Muitas análises das manifestações de junho têm pecado pela caracterização vaga do agente político que as promoveram e imprecisa do processo político no qual se inseriram. As manifestações não foram obra do “povo” ou da “juventude”, e nem esse processo político pode ser caracterizado com uma referência genérica ao “governo” e à “oposição”. As manifestações tiveram como base majoritária uma fração da classe média e o processo político no qual se inseriram encontra-se polarizado entre os programas burguês neodesenvolvimentista, representado pelo governo, e o neoliberal ortodoxo, representado pela oposição burguesa aglutinada no declinante PSDB.
I
As classes médias são um setor social heterogêneo e raramente intervêm de maneira unificada no processo político. A fração da classe média que puxou as manifestações tem alta escolaridade para os padrões brasileiros e viu a sua formação escolar ser depreciada pelos rumos do capitalismo em nosso país. Essa fração não se integrou ao modelo capitalista neoliberal e tampouco se viu contemplada pela reforma que o neodesenvolvimentismo do PT promoveu nesse modelo. Em dez anos de governos petistas, foram criados cerca de 20 milhões de empregos, mas a maioria foram postos de trabalho que requerem pouca formação e oferecem remuneração entre um e dois salários mínimos. O PT afastou-se dessa fração da classe média. Em primeiro lugar, quando, no final da década de 1990, engavetou o seu programa de implantação de um Estado de bem-estar social. Ora, nesse modelo de capitalismo, os diplomas universitários são muito valorizados – propiciam emprego público que remunera e prestigia os profissionais de classe média. Em segundo lugar, o PT afastou-se desse setor quando, aproveitando a oportunidade oferecida pelo chamado boom das commodities, o governo Lula decidiu engavetar também o seu programa de revitalização da indústria interna. O neodesenvolvimentismo do PT era, na sua concepção inicial, industrializante. Porém, diante da janela chinesa, os governos do PT decidiram deslocar para a mineração, para o agronegócio e para a construção civil a política de crescimento. A baixa remuneração dos postos de trabalho criados são o resultado dessa decisão.
Após esse setor de classe média ter desencadeado o movimento reivindicativo pela redução das tarifas de transporte e esse movimento ter adquirido grandes proporções, outros setores sociais puseram-se movimento. As ruas passaram a abrigar movimentos e interesses muito diversos. De um lado, o caráter progressista da revindicação da classe média permitiu a aproximação com movimentos da periferia, que deram a um movimento fundamentalmente reivindicativo a coloração de um protesto popular; de outro lado, o elevado grau de espontaneísmo do movimento permitiu que a mídia, como porta-voz da oposição neoliberal ortodoxa, e a alta classe média tucana tentassem transformar o movimento em um protesto de cunho conservador contra o governo federal. Mas, o movimento seguiu sendo, no fundamental, um movimento reivindicativo e progressista e foi, é bom frisar, vitorioso.

sexta-feira, 28 de junho de 2013

O Cavalo Passa Selado Diante das Forças de Esquerda.

Por Ricardo Gebrim
Ricardo Gebrim da Consulta Popular
                        O revolucionário salvadorenho Jorge Schafik Handal (1930-2006), entre tantas contribuições teóricas deixou um texto que é uma verdadeira aula para os que pensam a política como arte da transformação social. Ao analisar um episódio ocorrido às vésperas do golpe militar de 1973, ele mostra como as maiores forças de esquerda perderam uma oportunidade histórica que poderia ter alterado o desfecho que já se anunciava.
                        Em 29 de junho de 1973, enquanto o Alto Comando das Forças Armadas Chilenas já conspirava com a CIA a preparação do golpe militar, um pequeno grupo de oficiais fascistas, “fora do controle”, se precipita e lança uma sublevação antes da hora. Este episódio ganhou o nome de Tancazo, por utilizarem tanques. Foram rapidamente derrotados pelas tropas leais comandadas pelo General Prats e pela população, criando um clima de autoestima popular que se converteu no auge da luta popular daquele processo histórico.
                        Sufocada aquela sublevação, o General Prats alerta para o verdadeiro golpe em andamento e exige o afastamento do Alto Comando conspirador. O texto de Schafik mostra como nenhuma das forças de esquerda conseguiu interpretar a importância do episódio, embora as forças da reação tenham rápido entendido com precisão aquele momento.
                       Ele explica:
             “Como atuaram as forças revolucionárias frente a esse fenômeno? Ninguém definitivamente defendeu o Prats e a parte do exército que ele encabeçava. Uns o sacrificaram em interesse de manobras políticas acreditando honradamente que estas trariam a saída da crise; e, os outros, consideraram que a presença de Prats no governo era “a presença da burguesia”, que o pacto com Prats era  “a traição à revolução” e decidiram constituir-se na “oposição operária camponesa”. Quando a corrente de Prats era forte e predominante, quando derrotou o “Tancazo” (junho/1973), as massas intuíram a importância daquele momento para resolver revolucionariamente o problema do poder; se lançaram à rua, como todos sabemos, exigindo golpear profundamente a reação, fechar o parlamento, depurar o exército, mas a direção daquele processo não tomou resolutamente em suas mãos estas bandeiras. Não estou defendendo a idéia de que tudo se resolveria no Chile organizando a luta em torno de Prat; creio sim, que o aparecimento da corrente encabeçada por ele e a onda de massas que seguiu à sua vitória sobre Tancazo foi o mais próximo que houve durante o governo da Unidade Popular para a solução do problema do poder para a revolução. Essa possibilidade apareceu objetivamente e se constituiu assim numa prova para medir a clareza das forças revolucionárias para a tese do marxismo-leninismo de que “o problema do poder é o problema fundamental de toda revolução”.
                        Guardadas as imensas proporções, uma vez que não estamos vivenciando nenhum processo de natureza revolucionária é inevitável recordar este texto quando olhamos para os fatos que aceleradamente ocorrem nestes dias.
                        Qual é o principal desafio político para esquerda na tática da luta eleitoral atualmente?
                   As conquistas eleitorais que asseguraram a vitória do PT nas eleições presidenciais de 2002, 2006 e 2010 e possibilitaram a conquista de governos estaduais, senadores, deputados e prefeituras também para o PC do B, PSOL e setores de esquerda em outras agremiações, esbarram, para além da correlação de forças em limites concretos do Estado brasileiro.
                        Os três principais limites estruturais, que aparecem nas análises de várias organizações de esquerda podem ser resumidos nos seguintes:
1)      Um Sistema Político que favorece o poder econômico. Das muitas leituras que podem ser feitas sobre o chamado “mensalão”, uma é evidente. O tratamento escandalosamente diferenciado dado ao “mensalão mineiro do PSDB” e ao caso do PT contém um recado claro, se a esquerda utilizar o expediente do “caixa 2” será  duramente criminalizada. O Sistema Político favorece, mesmo nas legendas de esquerda, aqueles que através de um comportamento dócil conseguem obter os recursos financeiros para custear as campanhas cada vez mais milionárias. Um processo que converte qualquer governo progressista no refém de interesses fisiológicos que asseguram a governabilidade.
2)     A Concentração dos Meios de Comunicação. Generalizou-se a correta compreensão de que os grandes meios de comunicação atuam como o “partido político” dos grupos dominantes.
3)     O Poder Judiciário. Completamente impermeável á participação popular, exercem a linha de frente na contenção das lutas populares, criminalizando, construindo uma jurisprudência restritiva ao direito de greve, contendo lutas e conquistas populares.
                        Pois bem, quando as massas ganham ás ruas, num processo que foi  deflagrado a partir de uma bandeira clara, precisa e progressista – a redução das tarifas de transporte – assistimos uma intensa disputa política e ideológica, patrocinada pela grande mídia e todas as forças conservadoras pelos rumos do movimento.
                        Neste momento, tenso, com mobilizações crescentes, com a direita apostando todas as suas fichas em desgastar o governo Federal, a resposta da Presidente Dilma é extremamente audaciosa.            Anuncia um Plebiscito para tratar da Reforma Política e sinaliza a convocação de uma Assembleia Constituinte Específica sobre o sistema político!
                        Para além das análises diferenciadas que as forças de esquerda possam fazer da natureza e papel deste governo é forçoso reconhecer a audácia desta proposta.
                        Embora os setores médios que estiveram massificando os protestos sejam especialmente sujeitos á propaganda conservadora da grande mídia era evidente seu rechaço ao atual sistema político. Qualquer observador identifica que as mobilizações expressaram um forte sentimento de rejeição ao atual sistema político. Generaliza-se a percepção de que há uma "blindagem" da política aos verdadeiros interesses do povo brasileiro. Os partidos políticos e os próprios políticos são vistos como parte de uma mesma engrenagem subordinada aos interesses das elitese a democracia representativa se apresenta aos olhos da juventude, como um mecanismo que impede a democracia efetiva. Mesmo as bandeiras de partidos de esquerda passam a ser vistos como símbolos da burocracia, independentemente de seu histórico de lutas, elemento que possibilitou a pequenos grupos de extrema direita ataca-las com a complacência da maioria dos manifestantes.
                        É neste contexto, neste estado de ânimo popular, que a Presidenta, audaciosamente lança uma proposta política a um movimento de reivindicações econômicas!
                        A direita não vacilou um só segundo. Imediatamente compreendeu o que estava em jogo e abriu todas as suas baterias.
                        O furibundo Ministro Gilmar Mendes deu a linha. “O Brasil dormiu como se fosse Alemanha, Itália, Espanha, Portugal em termos de estabilidade institucional e amanheceu parecido com a Bolívia ou a Venezuela”, proclamou rapidamente.
                        Imediatamente os articulistas da Rede Globo, Revista Veja etc, proclamaram: “Isso é Chavismo”. O Vice Presidente imediatamente reuniu-se com Dilma para sinalizar os riscos de romper a aliança com o PMDB. Toda a oposição de direita passou o dia esbravejando no Congresso. Inúmeros juristas Constitucionalistas, tal qual múmias levantando das tumbas foram imediatamente entrevistados para mostrar a “impossibilidade técnica” desta proposta.
                        Dois ministros petistas, cujo partido havia aprovado essa proposta meses antes em seu Diretório Nacional saíram operando o recuo da Presidenta. O conservadorismo não titubeou. Compreendeu os riscos, entendeu o que está em jogo.
                        E as forças de Esquerda?
                   Atônitas ainda com o impacto e expressão das manifestações, a letargia parece ser a marca predominante na maioria das forças de esquerda.
                        Uma parte parece contentar-se com o “fato consumado”. Não dá mesmo, a própria Presidenta já recuou...
                        Outros, preocupados com a governabilidade, defendem o recuo e já aceitam até mesmo a trocar o Plebiscito por um mero referendo.
                          Já os setores que se autoproclamam “oposição de esquerda”, enxergam no episódio uma manobra governista para esvaziar as mobilizações pela pauta econômica. É significativo o posicionamento do PSTU:
                            “A Reforma Política que o governo Dilma propõe é uma tentativa clara de desviar as verdadeiras reivindicações colocada pelas mobilizações que sacodem o país. Nas ruas, a pauta é contra as injustiças sociais, por menos dinheiro para Copa e mais para saúde, educação e transporte, investimento público no serviço público, contra as privatizações e combate à corrupção. Essa tentativa de reforma é uma resposta conservadora que pode tornar a política brasileira ainda mais antidemocrática, como o voto distrital e a cláusula de barreira que afeta diretamente os partidos ideológicos, preservando as grandes legendas de aluguel, como o PMDB de Sarney e Renan Calheiros. O Plebiscito é uma cortina de fumaça. A verdadeira mudança será nas ruas.”
                          Evidente que “a verdadeira mudança será nas ruas”. Mas, o que proporemos aos que lutam nas ruas? Ficaremos apenas nas lutas econômicas, que são legitimas e devem ser assumidas, quando uma proposta de luta política se coloca?
                          Este é o debate que está em curso.
                          Vamos ignorar a possibilidade histórica de abrir uma possibilidade de luta contra o atual sistema político?
                           Deixaremos que as forças de direita ganhem esse embate e determinem o recuo do governo, enquanto seguiremos apenas nas lutas econômicas?
                            Não há como não se lembrar do texto de Schafik Handal....
                            Ainda estamos em tempo. O Cavalo selado ainda está passando. Ainda é possível interferir nesta luta!
                            A bandeira de uma Constituinte Exclusiva do Sistema Político, a ser submetida a um Plebiscito Nacional foi lançada. Podemos ignorá-la, rejeitá-la, ou assumi-la. O reascenso da luta de massas apenas está começando, muita água ainda vai rolar, mas a luta política tem ritmos e momentos de alta velocidade. Saber agir neste momento é essencial.
                             Não nos esqueçamos, um só instante, que a questão central em toda a transformação é a questão do poder.
                              Ricardo Gebrim.  27 de junho de 2013.

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