quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A Crise do Capital, a Desiguldade Social e a Desnacionalização do Brasil


É preciso entender a fundo a crise do capital

Na semana passada fizemos um estudo da conjuntura a partir de uma análise de conjuntura elaborada pelo DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - que ficou muito interessante. 

De uma maneira em geral, ela faz um apontamento no mesmo sentido que vários economistas têm feito: caminhamos para um cenário de forte crise na economia mundial. E se em 2008, quando os impactos começaram se tornar mais evidentes, foi possível, através de medidas anticíclicas, deixar o Brasil um tanto imune, desta vez o quadro parece sinalizar para um desfecho bem mais delicado.

Para um maior detalhamento, sugiro fortemente a leitura da análise na íntegra através deste link.

Mas dois pontos me saltaram à vista e gostaria de comentar brevemente por aqui:

1) O primeiro deles é o forte processo de desnacionalização em curso no Brasil. Uma pesquisa mostra que só no primeiro semestre de 2012, 167 empresas de capital nacional foram adquiridas por corporações estrangeiras.  A maior parte (71 empresas nacionais) por transnacionais com sede nos EUA, vindo em seguida corporações da França, Inglaterra e Alemanha. E as empresas adquiridas pelo capital estrangeiro estão nos mais diversos setores, destacando-se empresas de serviços para empresas, tecnologia da informação e produtos químicos e farmacêuticos. Nada estratégicos, hein?

2) O segundo tem a ver também com os recursos levantados por estes antigos empresários nacionais: O Brasil é o quarto país com maior volume de recursos depositados no exterior. Só em 2010, nada menos que US$ 520 bilhões, mais de 1 trilhão de reais, estavam depositados pelos ricos em paraísos fiscais. Este valor, para se ter uma idéia, representa cerca de 30% do PIB registrado em 2010 e é muito maior que a dívida externa brasileira, totalizada em US$ bilhões. Tal quantia depositada no exterior só perde para a grana dos chineses, dos russos e dos coreanos.

Estes dados podem ser encontrados no relatório The Price of offshore revisited, da ONG inglesa Tax Justice Network, segundo o texto do DIEESE.

No texto completo é possível ter muitas informações e, como já citei, vale a pena gastar um tempinho nesta leitura e análise.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Governo Colombiano e as FARC iniciam diálogo histórico em busca da paz

Acordo histórico se desenha na Colômbia
Por indicação do amigo Rafael Castanha, vejo a Telesur anunciar em seu sítio que hoje, em Havana, foi selado um acordo entre o Governo Colombiano e as FARC para início de entendimentos em busca da paz naquele país.

Informações dão conta de que o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, deve anunciar em breve detalhes sobre este acordo histórico.

A proposta é que o diálogo tenha início formal em outubro em Oslo e de lá os delegados de ambos os lados seguiriam para Havana, Cuba, para acordarem tal paz depois de um conflito que já chega a quase 50 anos.


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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Nota da Consulta Popular sobre as Eleições do Recife



Nota da Consulta Popular sobre as Eleições do Recife

O período eleitoral aparece como o único momento de debate político para a grande maioria da população, momento em que os problemas e questões centrais de nossas cidades voltam a ser o tema nas conversas cotidianas e na mídia. O modelo de democracia construído na sociedade apregoa que discutir o projeto de cidade a cada 4 anos e confirmar o voto na urna são o suficiente para resolver os problemas do povo. E essa cultura política garante grande parte da passividade de considerável parcela da sociedade com os problemas que permeiam a realidade de toda a população. O cenário da política na cidade do Recife não foge a essa reflexão.

Depois de anos conturbados da gestão do PT frente à prefeitura do Recife, com poucos avanços reais além do já conquistado em anos anteriores, e cada vez mais fortalecendo uma forma de fazer política que não coloca em xeque os problemas estruturais do município, o que vemos colocado na disputa hoje é uma verdadeira descrença política.

Mas quem olha com descrença não são somente as organizações da classe trabalhadora. De fato, o conjunto de cidadãos e cidadãs que atualmente olham para a política praticamente não conseguem enxergar as diferenças. Isto seja pela influência midiática para tentar minimizar essas diferenças, seja porque efetivamente as fronteias ideológicas tem sido “colocadas abaixo” em prol da melhor “resposta prática” e do mais eficiente “modelo de gestão” colocados por cada candidato. É diante de cenários como estes que as pessoas acreditam não haver mais alternativas ao que está dado, e que a melhor coisa a fazer é eleger aquele/aquela que aparenta ser menos corrupto ou com melhor “capacidade gerencial”. É aí que as ideologias se afundam, e com elas as chances da política realmente resolver os problemas de nosso Povo.

A construção da nossa Democracia é repleta de lacunas, de direitos negados pelas elites e não conquistados pela ampla população. A Reforma Agrária, a Reforma Urbana, os direitos a Saúde e Educação universais e de qualidade ainda se configuram como bandeiras de lutas reais e concretas para o Cidadão Brasileiro, pois não foram resolvidas por dentro da nossa Democracia. Mas resolver estes problemas na atual correlação das forças políticas do País, não se faz com “pragmatismo”, “tecnicismo” ou apenas com “capacidade gerencial”, sem ideologias, sem acreditar num outro mundo possível. Estas bandeiras e outras mais fazem parte do que chamamos de Projeto Popular para o Brasil!

Infelizmente, um Projeto realmente Popular para o nosso País não está colocado em debate nestas eleições. Algumas candidaturas valorosas tentam apontar pra algo diferente, mas infelizmente estão ao largo da disputa real. Dito isto, então, o que fazer? Existe alternativa?

Prontamente, respondemos que existe sim alternativa, a alternativa está (como sempre esteve) na luta do Povo, na Organização Popular, no fortalecimento e na disputa no seio da Sociedade de um projeto realmente popular para o País! Temos que continuar pautando nossas bandeiras, aglutinando os mais diversos setores da classe trabalhadora em prol deste projeto comum.

Desta feita, o que se coloca para os setores que defendem o Projeto Popular para o Brasil nesta eleição – mesmo que ele não esteja na pauta - é apontar para candidaturas que representem possibilidades de avançar nesta construção, e que de fato representem melhorias para o conjunto da classe trabalhadora. É diante disso que viemos a público nos posicionar a favor das candidaturas abaixo listadas, por entender que tais companheiros são aliados importantes para abrirmos brechas para a disputa do Projeto Popular para o Brasil.

Cacá Melo 13192 – representa uma candidatura importante ligada ao setor Saúde e ao movimento Sindical que aglutina em seu entorno importantes lutadores e lutadoras que estão na linha de frente da Resistência às privatizações e à mercantilização da saúde na cidade do Recife. A iniciativa de sua candidatura deve ajudar a impulsionar a unidade das lutas contra o capital privado na Saúde, aqui em Pernambuco representado pelas Organizações Sociais, luta que terá centralidade no próximo período.

Edilson Silva 50000 – O companheiro tem se feito presente em diversas lutas populares na cidade do Recife. Sua candidatura tem estimulado um debate sobre um novo projeto de desenvolvimento para a cidade, pautado nos interesses da classe trabalhadora, em contraponto ao grande capital da construção civil, a especulação imobiliária e a indústria do turismo. Poderá representar uma voz dissonante na Câmara dos Vereadores em relação ao atual projeto de desenvolvimento que vem sendo conduzido na cidade do Recife.

No que tange à Prefeitura do Recife, entendemos que é fundamental impor uma derrota aos setores mais retrógrados da política Pernambucana, representados pelo DEM/PSDB. Além disso, também é importante derrotar os setores neodesenvolvimentistas mais conservadores, que publicizam uma concepção gerencial e tecnicista do Estado abrindo portas para o aprofundamento de políticas neoliberais, de redução do Estado e privatização da coisa pública, sintetizadas na movimentação feita por Eduardo Campos forjando a candidatura de Geraldo Júlio/PSB.

A Consulta Popular soma suas forças ao conjunto de lutadoras e lutadores populares da cidade do Recife que entendem a importância de derrotar esses inimigos comuns e reforçamos que nossa centralidade segue sendo a construção de força própria da classe trabalhadora para colocar o seu projeto em movimento na História de nossa cidade.

Recife, 24 de Agosto de 2012
Núcleo Alexina Crespo
Consulta Popular


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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pesquisa Marxista no Brasil


Esta postagem é para recomendar a leitura e pesquisa em um sítio: marxismo21.org

Pelo que entendi é um blog mantido por docentes e pesquisadores da UNICAMP e tem como objetivo a divulgação sobre o que se tem pesquisado e produzido no Brasil no campo do marxismo.

A proposta é que sirva tanto para acadêmicos quanto para a militantes e a população em geral. Recomendo ao menos uma passada de vista e que esteja adicionado aos favoritos para eventuais pesquisas.



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domingo, 19 de agosto de 2012

ALBA rechaça ameaça britânica ao Equador

Manifestantes em frente à Embaixada Equatoriana na Inglaterra
Durante esta semana o Equador, do presidente Rafael Correa, tomou a importante decisão de conceder asilo político ao Julian Assange, fundador do Wikileaks.

Atualmente Assange está protegido há dias na embaixada do Equador na Inglaterra. O grande problema é que a Grã-Bretanha tem feito as mais diversas ameaças possíveis, chegando ao cúmulo de anunciar que invadiria aquele espaço equatoriano, sob o pretexto de que o "criminoso" Assange deveria estar preso.

A novidade política é que a ALBA - Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América - reuniu extraordianariamente seu Conselho Político neste sábado e aprovou uma resolução que traz oito pontos:

1 - Rechaça as ameaças intimidatórias proferidas pelo Reino Unido contra o Equador

2- Ratifica o respaldo ao direito soberano do governo do Equador de ortogar asilo diplomático a Julian Assange

3- Expressa seu rechaço à posição do Reino Unido de pretender resolver de maneira que contraria o direito internacional

4 - Apoia a solicitação de convocatoria por parte da UNASUL para debater a posição hostil do Governo do Reino Unido

5 - Considera pertinente promover na ONU um amplo debate acerca da inviolabilidade das sedes diplomáticas

6- Adverte ao Governo do Reino Unido acerca das consequências que se desencadeariam no caso de uma agressão à integridade territorial do Equador.

7 - Faz um chamado aos governos do mundo, aos movimentos sociais e à intelectualidade a se colocarem contrários a esta atitude do Reino Unido

8 - Se compromete a fazer o maior esforço para dar maior difusão e publicidade a esta declaração

Neste domingo deverá ocorrer uma reunião da UNASUL com os ministros das relações exteriores de cada país membro para também tratar deste assunto.

Fonte: cubadete.cu

Atualização:
Julian Assange quebrou o silêncio e fez um discurso hoje na Embaixada do Equador. Leia na íntegra em espanhol.



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terça-feira, 14 de agosto de 2012

Policarpo e VEJA estão por um fio

Policarpo Júnior, diretor da Veja e pertencente à Máfia do Cachoeira
Campanhas eleitorais estão pegando fogo Brasil afora, mas dois assuntos tomam conta da imprensa neste período pós-olimpíadas:

1) O Julgamento da Ação Penal 470 no STF, apelidada por Roberto Jefferson e pela grande mídia de "Julgamento do Mensalão". Virou a frente de batalha principal da direita reacionária em nosso país e tem como alvo sangrar o máximo que puder o PT.

2) CPMI do Cachoeira.

Por motivos ÓBVIOS, a imprensa deixou um pouco de lado a CPMI e centra o cacete no julgamento do STF. 

Mas o que me chamou a atenção hoje foi a notícia veiculada pelo Blog da Cidadania. Nela, o jornalista cita que faltariam somente 4 votos para que haja número suficiente para a convocação de Policarpo Júnior, diretor da sucursal de Brasília da VEJA. Seria fantástico.

O jornalista já contabiliza os votos do PSOL, PCdoB, PSB, PTB (do Collor) e os do PT. Diz que a reportagem de capa da Carta Capital do último de fim de semana, assinada por Leandro Fortes, foi determinante.

O GRANDE problema está no fato de que os 4 votos restantes dependeriam do PMDB. E todos os indícios apontam que este partido não teria muito interesse nesta convocação. Há fortes rumores que dão conta de uma acordo fechado entre o vice-presidente da república, o Michel Temer, com as organizações Globo e com a Veja, que estariam dando uma trégua ao governo (não necessariamente ao PT), em troca da garantia de não ter importantes entes seus convocados para a CPMI.

Vamos acompanhar os próximos capítulos...

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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Exército dos Estado Unidos estuda Rio São Francisco

Foto do Exército Brasileiro em treinamento no Rio São Francisco
A CODEVASF, órgão submetido ao Ministério da Integração Nacional, anunciou há algumas semanas um contrato com o exército estadunidense para estudos de navegabilidade para o Rio São Francisco. Os norte-americanos lucrarão R$ 7,8 milhões para um trabalho previsto de 3 anos.

O coordenador será o brigadeiro Douglas Fraser, Comandante do Comando Sul do Exército dos Estados Unidos e, por consequência, Comandante de quaisquer operações militares em nossa região. É mole?!

Coisa mais estranha, não? Talvez seja pura ignorância minha, mas esta história toda não faz o mínimo sentido. 


E aí me faço duas perguntas:

terça-feira, 7 de agosto de 2012

Liberdade


Liberdade 

Não ficarei tão só no campo da arte,
e, ânimo firme, sobranceiro e forte,
tudo farei por ti para exaltar-te,
serenamente, alheio à própria sorte. 

Para que eu possa um dia contemplar-te
dominadora, em férvido transporte,
direi que és bela e pura em toda parte,
por maior risco em que essa audácia importe.

Queira-te eu tanto, e de tal modo em suma,
que não exista força humana alguma
que esta paixão embriagadora dome.

E que eu por ti, se torturado for,
possa feliz, indiferente à dor,
morrer sorrindo a murmurar teu nome.

Marighella


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