quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Aos Sonhos - Ademar Bogo


Do livro Cartas de Amor de Ademar Bogo


Cartas de amor Nº 9

AOS SONHOS

É proibido sonhar quando a alma não quer sentir e, nem sequer imaginar os passos que deve dar, teimando em se acomodar pra não ver a flor florir.

Há sonhos que dão errado. Há sonhos de desespero. Há sonhos de pesadelos e, alguns de solidão. Há sonhos egoístas, fatalistas, entreguistas que alimentam a exploração.

Os sonhos verdadeiros são coerentes; espalham em cada passo um bocado de sementes, para fazer o jardim do amanhecer. São os que movem as mãos e os braços, para oferecer o corpo, aos abraços de prazer.

Sonhar que se está sozinho é não ser nada. Os sonhos são a madrugada que espera o dia se fazer. Pesadelo não existe para quem sonha ao lado de alguém que também sonha. Que não se envergonha de sonhar com outro alguém, que busca o mesmo destino, como o menino que chama pela mãe.

Sonhar é não querer ir só para um lugar melhor. É ver em cada olhar um pedaço do lugar onde descansa a esperança. Quem sonha sempre é criança; tem energia, tem alegria, tem confiança...

É duro sonhar perto dos desanimados. É como ver a flor se abrir às margens de um rochedo: o sonho é engolido pela indecisão e o medo. 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Por que o Exército dos Estados Unidos continua estudando o Rio São Francisco?

Rio São Francisco

Em meados de julho/agosto deste ano ganhou destaque na mídia o contrato que o Ministério da Integração Nacional havia acertado com o Exército dos EUA para estudos no Rio São Francisco. Fato este também divulgado aqui no blog:


Trata-se de um acordo assinado entre a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e Parnaíba  (CODEVASF), órgão submetido ao Ministério da Integração Nacional, com o Corpo de Engenheiros do Exército Americano (USACE). A justificativa é de se encontrar formas de tornar o Rio São Francisco navegável. O contrato chega a um valor de R$ 7,8 milhões e foi assinado em dezembro de 2011.

Até aí já sabíamos. A pergunta que fica é: por que o governo brasileiro ainda não tomou nenhuma atitude quanto a isso? Será este Corpo de Engenheiros do Exército Americano tão superior em conhecimento ao que existe no país hoje nas universidades e até mesmo dentro do exército brasileiro?

Frans Post
Pesquisando na internet vejo que o estudo também pretende a "investigação geológica, avaliação geotécnica, análise da qualidade da construção, análise hidrologia e outros estudos."

No mínimo curioso. Ainda mais em uma época em que está cada vez mais reconhecido, e ganhando importância econômica, o potencial em recursos minerais da região.
Sugiro uma olhada no link que segue. Resume um pouco deste potencial mineral:

O USACE foi criado em 1982 com a justifica de servir de apoio em situações de desastre nos Estados Unidos, mas também para apoiar ações militares como no Afeganistão e no Iraque.

Li algo sobre a Comissão de Relações Exteriores da Câmera de Deputados ter pedido esclarecimentos ao Governo Federal, mas parece que até hoje não houve ainda nenhum posicionamento oficial. E precisamos dele. Este não é um questionamento puramente ideológico. Estamos nos referindo essencialmente a uma questão de soberania nacional.


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sábado, 22 de dezembro de 2012

Estamos com Sílvio Tendler!

Somente hoje, por absoluta falta de tempo nos últimos dias, pude ler a carta escrita pelo cineasta Sílvio Tendler sobre intimação que recebeu para prestar alguns esclarecimentos a um delegado.

Simples e direta, mas muito tocante, como não poderia ser diferente.

Tive a oportunidade de conhecê-lo em setembro de 2011, quando o trouxemos a Petrolina para o lançamento do seu filme "O Veneno está na Mesa" em atividade realizada pelo Comitê da Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida aqui no Vale do São Francisco.

Grande figura, grande militante e grande humanista. Estamos com você, Sílvio!

Lançamento do filme "O Veneno está na Mesa" no STR em Petrolina

Para quem ainda não viu o filme, fica a forte sugestão:
Para conhecer mais sobre a Campanha Contra os Agrotóxicos e Pela Vida:

Eis a carta:


Carta Aberta a um Delegado de Polícia ou Respondendo à Intimidação por parte do clube militar.

Delegado,


Dois policiais vieram ontem à minha residência entregar intimação para prestar declarações a fim de apurar atos de "Constrangimento ilegal qualificado – Tentativa – Autor", informa o ofício recebido. Meu advogado apurou tratar-se de denúncia ou queixa ou sei lá o quê, por parte do "presidente do clube militar" (em letra minúscula mesmo, de propósito).



Informo que na data da manifestação, 29 de março de 2012, estava recém-operado, infelizmente impedido de participar de ato público contra uma reunião de sediciosos, os quais, contrariando à determinação da Exma. Sra. Presidenta da República, comemoravam o aniversário da tenebrosa ditadura, que torturou, matou, roubou e desapareceu com opositores do regime.



Entre os presentes estava o matador do Grande Herói da Pátria, Capitão Carlos Lamarca, e seu companheiro Zequinha – doentes, esquálidos, sem força, encostados numa árvore. Zéquinha e Lamarca foram fuzilados sem dó, nem piedade, quando a lei e a honra determinam colocá-los numa maca e levá-los para um hospital para prestar os primeiros socorros. Essa gente estava lá, não eu. Eles é que devem ser investigados. Eu farei um filme enaltecendo o Capitão Lamarca e seu bravo companheiro Zequinha.



Tenha certeza, Delegado, de que, enquanto eu tiver forças, me manifestarei contra o arbítrio e a violência das ditaduras e, já que o Sr. está conduzindo o inquérito, procure apurar se o canalha que prendeu, torturou e humilhou minha mãe nas dependências do Doi-Codi participou do "festim diabólico". Isso sim é Constrangimento Ilegal. E já que se trata de assunto de polícia, aproveite para pedir ao "constrangedor ilegal" que ficou com o relógio da minha mãe – ela entrou com o relógio no Doi-Codi e saiu sem ele – que o devolva. Processe-o por "apropriação indébita, seguida de roubo qualificado (foi à mão bem armada)”. É fácil encontrar o meliante. Comece pelo Comandante do quartel da Barão de Mesquita em janeiro de 1971. Já que eles reabriram o assunto, o senhor pode desenterrar o processo. É, Delegado, o que eles fizeram durante a ditadura é mais assunto de polícia do que de política!



Pergunte ao queixoso presidente do clube militar se ele tem alguma pista do paradeiro do Deputado Rubens Paiva. Terá sido crime cometido por algum participante da festa macabra, onde, comenta-se, havia vampiros fantasiados de pijama?



Tudo o que fiz foi um chamamento pelo you tube convidando as pessoas a se manifestarem contra as comemorações do golpe de 64. Se este general entendesse ou respeitasse a lei, não teria promovido a festa e, tendo algo contra mim, deveria tentar me enquadrar por "delito de opinião" mas aí, na fotografia, ele ficaria mais feio do que é, não é mesmo?



Por fim, quero manifestar minha solidariedade aos que protestaram contra o "festim diabólico" e foram tratados de forma truculenta, à base de gás de efeito moral, spray de pimenta e choque elétrico – como nos velhos tempos. Bastaria umas poucas grades para separar os manifestantes do povo, que estavam na rua, aos sediciosos que ingressavam no clube. Há muitos poderia causar a impressão de estar visitando um zoológico e assistindo a um desfile de símios.



Não perca tempo comigo e com a ranhetice de um bando de aposentados cri-cri, aporrinhando a paciência de quem tem mais o que fazer. Pura nostalgia da ditadura, eles se portam como se ainda estivessem em posição de mando.

Atenciosamente,
Silvio Tendler


quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

Autodefinição por Oscar Niemeyer



Autodefinição
Na folha branca de papel faço o meu risco.
Retas e curvas entrelaçadas.
E prossigo atento e tudo arrisco na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos pelo ar, pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar, encontrará, em todos,
os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada.
                                              Oscar Niemeyer


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domingo, 25 de novembro de 2012

O que você não vê na mídia sobre Gaza

Este filme contém cenas fortes, mas que não são nada diante do terrorismo imposto pelo Estado de Israel ao povo palestino.

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sábado, 3 de novembro de 2012

Proclamação do amor antigramática



Por Mário Lago

Dá-me um beijo", ela me disse,
E eu nunca mais voltei lá.
Quem fala "dá-me" não ama,
Quem ama fala "me dá"
"Dá-me um beijo" é que é correto,
É linguagem de doutor,
Mas "me dá" tem mais afeto,
Beijo me-dado é melhor.
A gramática foi feita
Por um velho professor,
Por isso é tão má receita
Pra dizer coisas de amor.
O mestre pune com zero
Quem não diz "amo-te". aposto
Que em casa ele é mais sincero
E diz pra mulher: "te gosto"
Delírio dos olhos meus,
Estás ficando antipática.
Pelo diabo ou por deus
Manda às favas a gramática.
Fala, meu cheiro de rosa,
Do jeito que estou pedindo:
"Hoje estou menas formosa,
Com licença, vou se indo".
Comete miles de erros,
Mistura tu com você,
E eu proclamarei aos berros:
"Vós és o meu bem querer

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terça-feira, 2 de outubro de 2012

Quando caem as máscaras da grande mídia

Navegando por estes grande portais de notícia não é difícil se deparar com tentativas grosseiras de manipulação da realidade.

Há pouco ao acessar o Portal Terra, me deparei com a imagem abaixo:


Obviamente que esta manchete chamou a minha atenção. Baseada em que a Dilma estaria pedindo o fim da produção de armas nucleares no Irã? As provas teriam aparecido nas últimas 24 horas?

Então, ao clicar para assistir o trecho do vídeo destacado pela empresa 'jornalística', me dei conta de que Dilma não falou nada disso. Aliás, passou bem longe.

De uma maneira em geral, ela fez uma pesada crítica à Islamofobia e a qualquer tentativa de "ação militar unilateral contra instalações no Irã".
Mais do que isso, propos uma "zona livre de armas de destruição em massa no Oriente Médio."

Ou seja: sua crítica parece estar muito mais direcionada a Israel, e não ao Irã. Sabe-se da existência de armas nucleares por lá há muito mais tempo que as especulações, lançadas por setores ligados a OTAN, sobre a produção de tais armamentos no país presidido por Mahmoud Ahmadinejad.

De fato, a grande mídia, apesar de todo o investimento, não consegue controlar seu ímpeto em misturar jornalismo a mentira e manipulação.


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Declaração de Apoio a Edilson 50.000 nas Eleições em Recife



Há poucos dias das eleições, queria reforçar a declaração de apoio a Edilson 50.000 para a Câmara de Vereadores de Recife. É perceptível a diferença que Edilson tem feito na Campanha.

De uma forma extremamente qualificada, construiu sua campanha pautando sérios problemas da cidade do Recife como a questão da Mobilidade Urbana, da Saúde, da necessidade de um Planejamento Urbano, da Segurança Pública, entre outros temas. Não de uma forma puramente eleitoreira, tão recorrente neste período, mas buscando construir verdadeiros caminhos e diálogos que apontam para possíves soluções.

Como falo no vídeo que gravei em apoio a sua candidatura, Edilson é uma voz necessária no legislativo de Recife. Edilson será o representante de uma gama de excluídas e excluídos, e seu mandato, com toda certeza, servirá como um polo aglutinador de diversas causas populares e democráticas da cidade do Recife.

Sua presença na Casa José Mariano ganha ainda mais importância em um momento em que as grandes construtoras, com seus megaprojetos de espigões, viadutos e concreto, parece serem mais importantes que as necessidades da população recifense. Alguém precisa fazer este enfrentament e Edilson certamente estará encampando esta batalha.

Sem pestanejar repito que Edilson 50.000 é uma voto necessário para o município e fará a diferença.  

Segue abaixo um pequeno vídeo que gravei, a despeito da falta de jeito para câmeras, em apoio à candidatura de Edilson Silva



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Declaração de voto nas eleições em Olinda



Há tempos não via uma candidatura em Olinda que animasse tanto como a candidatura de ALEXANDRE MIRANDA 13013 para a Câmara de Vereadores.

Infelizmente, a cidade foi tomada nos últimos anos por uma "mesmice" política difícil de superar. E na Câmara, a situação não é diferente. De uma maneira em geral, destaca-se uma incapacidade de problematizar a cidade e de se fazer verdadeira representante dos anseios e necessidades da população Olindense.

Mesmo diante de cenário tão adverso, enxergo a candidatura de Alexandre como uma grande novidade na política de Olinda. Com origens de militãncia no Movimento Estudantil, sua campanha seu pautou ao longo das últimas semanas em cima de um debate sincero com a população.

Acredito que o mandato de Alexandre Miranda na Câmara representará uma grande oportunidade para consolidação de uma nova forma de pensar e agir no município.
Em seu bom Plano de Ação Parlamentar, destaco um leque interessante de propostas para a Juventude, Educação, Políticas Culturais e Participação Popular. Some-se a isso a sua proposta de construção de um mandato autônomo, o que parece bem importante na atual conjuntura da cidade.

No dia 07 de outubro, não tenho dúvidas de que, em Olinda, o voto em Alexandre Miranda - 13013 - é a melhor alternativa! 



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terça-feira, 11 de setembro de 2012

O Partido da Terra

Por Juremir Machado da Silva



Eu valorizo muito os produtores rurais. São essenciais para a nossa alimentação. Só não valorizo certos métodos parlamentares. Continuo fixado no livro de Alceu Castilho, "Partido da Terra, Como os Políticos Conquistam o Território Brasileiro". Ele nos informa que, em 2010, o Grupo Friboi, sediado em Goiás, doou mais de R$ 30 milhões para campanhas eleitorais. Financiou 48 candidaturas, com 41 eleições. O Friboi tem espírito cívico. Colocou dinheiro também na campanha de Dilma Rousseff. Por coincidência, dos seus 41 parlamentares eleitos, na primeira prova de fogo, o Código Florestal, 40 votaram pelas mudanças agradáveis aos ruralistas. Apenas o gaúcho Vieira da Cunha não seguiu o rebanho.

Paulo Piau (PMDB), relator da matéria, recebeu R$ 1,25 milhão do Friboi. Mesmo sendo parte interessada, não se declarou impedido. Nem a leitura do Código de Ética pelo colega Chico Alencar (PSol) o abalou: fere o decoro parlamentar "relatar matéria de interesse específico de pessoa física ou jurídica que tenha contribuído para o financiamento da sua campanha eleitoral". É um mundo particular. Tem fazendeiro político que não disponibiliza água potável para seus escravos. Falando em livros, reli "A Segunda Chance do Brasil, a Caminho do Primeiro Mundo", do ex-embaixador americano no Brasil Lincoln Gordon, o homem que ajudou a preparar o golpe de 1964. Gordon é um conservador nato, um inimigo das esquerdas subversivas, um crítico dos "excessos" da nossa Constituição de 1988. Pois não é que ele nos surpreende.

Assim: "Durante a elaboração da Constituição de 1988, a UDR obteve proteção contra a desapropriação de todas as propriedades produtivas, eliminando assim o conceito de 1964 de ''latifúndios em razão do tamanho'', vastas propriedades mais de seiscentas vezes à área do ''módulo'' de fazenda familiar de cada região". Para o Brasil dar o grande salto, escrevia Gordon, ao final dos anos 1990, só com reforma agrária: "Para participar dos padrões do Primeiro Mundo, é indubitável que eles precisam de acesso fácil à propriedade da terra". Esse Gordon deve ter ficado gagá. Chamava os fazendeiros da UDR de conservadores, diz que tem racismo no Brasil, insinua que o nosso Judiciário não gosta de transparência e indica que reformas, como a agrária, nunca deslancharam por estar o Congresso dominado pelos principais interessados em evitá-la. Nunca se pode confiar num amigo americano.

Leia-se esta declaração altamente subversiva dele: "Depois de restaurado o governo civil, os opositores da reforma agrária mostraram uma força excepcional na Assembleia Constitucional de 1988, eleita democraticamente, assim como entre os congressistas eleitos em 1990 e 1994. Desse modo, reformas que poderiam contribuir para uma melhor distribuição do capital humano e físico, levando por sua vez a uma menor desigualdade de distribuição de renda, continuam a ser parte dos problemas ainda não resolvidos pela sociedade brasileira". FHC foi obrigado a meter o pé no acelerador, mas não bastou. Chega. Autores são muito chatos. Viram tudo do avesso.


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terça-feira, 4 de setembro de 2012

O Direito de Greve é uma conquista histórica da Classe Trabalhadora.


Nos últimos dias um assunto dividiu espaço nos jornais e na internet com o assunto preferido da mídia burguesa, o julgamento do suposto mensalão.

Estou falando da proposta retomada "nas coxas" que trata do cerceamento do direito de greve dos trabalhadores no Brasil. O projeto é o 710/2011 do senador Aloysio Nunes do PSDB-SP e representa o pensamento do que há de mais atrasado em nosso país. Para se ter só uma idéia, ele define corte de ponto integral desde a deflagração da greve, paralização de no máximo 50% dos trabalhadores mesmo em setores não considerados essenciais e pesadíssimas multas aos sindicatos caso haja definição de ilegalidade por parte da justiça.

Sobre isso queria fazer 3 considerações:

1) Algumas pessoas esquecem, e outras omitem por conveniência, que o direito à greve é uma conquista da classe trabalhadora. E a partir desta conquista muitas outras foram potencializadas e ganharam corpo ao longo da história. Um grande exemplo foram os conjuntos de mobilizações e luta construídas ao longos dos anos que se colocaram pelo fim da ditadura militar no Brasil e culminaram com todo o processo das Diretas JÁ, chegando, finalmente, à grande vitória que foi a implementação da democracia em nosso país.
Então é preciso estar sempre evidente que direito à greve não é uma concessão da burguesia ou do Estado, mas um verdadeiro direito, adquirido à base de muita luta e de muito sangue.

2) Como foi afirmado em audiência pública na Comissão de Direitos Humanos do Senado Federal esta semana, não dá para separar o debate sobre a regulamentação do direito de greve no setor público da definição paralela sobre uma política de reestruturação das carreiras e a definição de uma política de reajuste para as categorias. Não dá. São debates que precisam estar estreitamente relacionados.


3) E por fim, mas não menos importante, é uma consideração sobre o momento em que se decide discutir isso, ainda mais de maneira tão abrupta. Acabamos de passar por um processo em que cerca de 20 categorias estiveram de greve (algumas ainda estão) que representou uma paralisação de mais de 300 mil trabalhadores Brasil à fora. E neste contexto, há toda uma gama de ataques por parte do setores conservadores, como a grande mídia, que tenta criminalizar toda a mobilização diuturnamente.
Junte-se o fato de termos uma correlação de forças extremamente desfavorável no Congresso Nacional, a despeito de se ter um governo que se coloca, em partes, no campo da esquerda.
Em épocas de descenso, ou quando o ascenso ainda não representa maiores mobilizações sociais, simplesmente não dá para ficar mexendo em direitos, pois tais movimentações podem nos levar a uma pior situação. E é isso que parece estar em vista. 

É preciso exigir firme postura contrária a estas movimentações no Senado e na Câmara Federais e exigir do Governo de Dilma que não mexa nos direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras de nosso país.

quarta-feira, 29 de agosto de 2012

A Crise do Capital, a Desiguldade Social e a Desnacionalização do Brasil


É preciso entender a fundo a crise do capital

Na semana passada fizemos um estudo da conjuntura a partir de uma análise de conjuntura elaborada pelo DIEESE – Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos - que ficou muito interessante. 

De uma maneira em geral, ela faz um apontamento no mesmo sentido que vários economistas têm feito: caminhamos para um cenário de forte crise na economia mundial. E se em 2008, quando os impactos começaram se tornar mais evidentes, foi possível, através de medidas anticíclicas, deixar o Brasil um tanto imune, desta vez o quadro parece sinalizar para um desfecho bem mais delicado.

Para um maior detalhamento, sugiro fortemente a leitura da análise na íntegra através deste link.

Mas dois pontos me saltaram à vista e gostaria de comentar brevemente por aqui:

1) O primeiro deles é o forte processo de desnacionalização em curso no Brasil. Uma pesquisa mostra que só no primeiro semestre de 2012, 167 empresas de capital nacional foram adquiridas por corporações estrangeiras.  A maior parte (71 empresas nacionais) por transnacionais com sede nos EUA, vindo em seguida corporações da França, Inglaterra e Alemanha. E as empresas adquiridas pelo capital estrangeiro estão nos mais diversos setores, destacando-se empresas de serviços para empresas, tecnologia da informação e produtos químicos e farmacêuticos. Nada estratégicos, hein?

2) O segundo tem a ver também com os recursos levantados por estes antigos empresários nacionais: O Brasil é o quarto país com maior volume de recursos depositados no exterior. Só em 2010, nada menos que US$ 520 bilhões, mais de 1 trilhão de reais, estavam depositados pelos ricos em paraísos fiscais. Este valor, para se ter uma idéia, representa cerca de 30% do PIB registrado em 2010 e é muito maior que a dívida externa brasileira, totalizada em US$ bilhões. Tal quantia depositada no exterior só perde para a grana dos chineses, dos russos e dos coreanos.

Estes dados podem ser encontrados no relatório The Price of offshore revisited, da ONG inglesa Tax Justice Network, segundo o texto do DIEESE.

No texto completo é possível ter muitas informações e, como já citei, vale a pena gastar um tempinho nesta leitura e análise.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Governo Colombiano e as FARC iniciam diálogo histórico em busca da paz

Acordo histórico se desenha na Colômbia
Por indicação do amigo Rafael Castanha, vejo a Telesur anunciar em seu sítio que hoje, em Havana, foi selado um acordo entre o Governo Colombiano e as FARC para início de entendimentos em busca da paz naquele país.

Informações dão conta de que o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, deve anunciar em breve detalhes sobre este acordo histórico.

A proposta é que o diálogo tenha início formal em outubro em Oslo e de lá os delegados de ambos os lados seguiriam para Havana, Cuba, para acordarem tal paz depois de um conflito que já chega a quase 50 anos.


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sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Nota da Consulta Popular sobre as Eleições do Recife



Nota da Consulta Popular sobre as Eleições do Recife

O período eleitoral aparece como o único momento de debate político para a grande maioria da população, momento em que os problemas e questões centrais de nossas cidades voltam a ser o tema nas conversas cotidianas e na mídia. O modelo de democracia construído na sociedade apregoa que discutir o projeto de cidade a cada 4 anos e confirmar o voto na urna são o suficiente para resolver os problemas do povo. E essa cultura política garante grande parte da passividade de considerável parcela da sociedade com os problemas que permeiam a realidade de toda a população. O cenário da política na cidade do Recife não foge a essa reflexão.

Depois de anos conturbados da gestão do PT frente à prefeitura do Recife, com poucos avanços reais além do já conquistado em anos anteriores, e cada vez mais fortalecendo uma forma de fazer política que não coloca em xeque os problemas estruturais do município, o que vemos colocado na disputa hoje é uma verdadeira descrença política.

Mas quem olha com descrença não são somente as organizações da classe trabalhadora. De fato, o conjunto de cidadãos e cidadãs que atualmente olham para a política praticamente não conseguem enxergar as diferenças. Isto seja pela influência midiática para tentar minimizar essas diferenças, seja porque efetivamente as fronteias ideológicas tem sido “colocadas abaixo” em prol da melhor “resposta prática” e do mais eficiente “modelo de gestão” colocados por cada candidato. É diante de cenários como estes que as pessoas acreditam não haver mais alternativas ao que está dado, e que a melhor coisa a fazer é eleger aquele/aquela que aparenta ser menos corrupto ou com melhor “capacidade gerencial”. É aí que as ideologias se afundam, e com elas as chances da política realmente resolver os problemas de nosso Povo.

A construção da nossa Democracia é repleta de lacunas, de direitos negados pelas elites e não conquistados pela ampla população. A Reforma Agrária, a Reforma Urbana, os direitos a Saúde e Educação universais e de qualidade ainda se configuram como bandeiras de lutas reais e concretas para o Cidadão Brasileiro, pois não foram resolvidas por dentro da nossa Democracia. Mas resolver estes problemas na atual correlação das forças políticas do País, não se faz com “pragmatismo”, “tecnicismo” ou apenas com “capacidade gerencial”, sem ideologias, sem acreditar num outro mundo possível. Estas bandeiras e outras mais fazem parte do que chamamos de Projeto Popular para o Brasil!

Infelizmente, um Projeto realmente Popular para o nosso País não está colocado em debate nestas eleições. Algumas candidaturas valorosas tentam apontar pra algo diferente, mas infelizmente estão ao largo da disputa real. Dito isto, então, o que fazer? Existe alternativa?

Prontamente, respondemos que existe sim alternativa, a alternativa está (como sempre esteve) na luta do Povo, na Organização Popular, no fortalecimento e na disputa no seio da Sociedade de um projeto realmente popular para o País! Temos que continuar pautando nossas bandeiras, aglutinando os mais diversos setores da classe trabalhadora em prol deste projeto comum.

Desta feita, o que se coloca para os setores que defendem o Projeto Popular para o Brasil nesta eleição – mesmo que ele não esteja na pauta - é apontar para candidaturas que representem possibilidades de avançar nesta construção, e que de fato representem melhorias para o conjunto da classe trabalhadora. É diante disso que viemos a público nos posicionar a favor das candidaturas abaixo listadas, por entender que tais companheiros são aliados importantes para abrirmos brechas para a disputa do Projeto Popular para o Brasil.

Cacá Melo 13192 – representa uma candidatura importante ligada ao setor Saúde e ao movimento Sindical que aglutina em seu entorno importantes lutadores e lutadoras que estão na linha de frente da Resistência às privatizações e à mercantilização da saúde na cidade do Recife. A iniciativa de sua candidatura deve ajudar a impulsionar a unidade das lutas contra o capital privado na Saúde, aqui em Pernambuco representado pelas Organizações Sociais, luta que terá centralidade no próximo período.

Edilson Silva 50000 – O companheiro tem se feito presente em diversas lutas populares na cidade do Recife. Sua candidatura tem estimulado um debate sobre um novo projeto de desenvolvimento para a cidade, pautado nos interesses da classe trabalhadora, em contraponto ao grande capital da construção civil, a especulação imobiliária e a indústria do turismo. Poderá representar uma voz dissonante na Câmara dos Vereadores em relação ao atual projeto de desenvolvimento que vem sendo conduzido na cidade do Recife.

No que tange à Prefeitura do Recife, entendemos que é fundamental impor uma derrota aos setores mais retrógrados da política Pernambucana, representados pelo DEM/PSDB. Além disso, também é importante derrotar os setores neodesenvolvimentistas mais conservadores, que publicizam uma concepção gerencial e tecnicista do Estado abrindo portas para o aprofundamento de políticas neoliberais, de redução do Estado e privatização da coisa pública, sintetizadas na movimentação feita por Eduardo Campos forjando a candidatura de Geraldo Júlio/PSB.

A Consulta Popular soma suas forças ao conjunto de lutadoras e lutadores populares da cidade do Recife que entendem a importância de derrotar esses inimigos comuns e reforçamos que nossa centralidade segue sendo a construção de força própria da classe trabalhadora para colocar o seu projeto em movimento na História de nossa cidade.

Recife, 24 de Agosto de 2012
Núcleo Alexina Crespo
Consulta Popular


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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Pesquisa Marxista no Brasil


Esta postagem é para recomendar a leitura e pesquisa em um sítio: marxismo21.org

Pelo que entendi é um blog mantido por docentes e pesquisadores da UNICAMP e tem como objetivo a divulgação sobre o que se tem pesquisado e produzido no Brasil no campo do marxismo.

A proposta é que sirva tanto para acadêmicos quanto para a militantes e a população em geral. Recomendo ao menos uma passada de vista e que esteja adicionado aos favoritos para eventuais pesquisas.



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