quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

Dilma na Folha de São Paulo. Cadê os blogs progressistas?


No dia seguinte ao 1º turno das eleições presidenciais, quando anunciei aqui o apoio e a campanha a favor da candidata Dilma frente ao candidato Serra já deixei claro não ter praticamente nenhuma expectativa com relação a este novo governo petista.

Na realidade, tinha sim. Eram dois os pontos, que julguei factíveis, diante de todo jogo sujo presenciado durante a campanha eleitoral. E um deles se referia exatamente a fazer um enfrentamento à grande mídia que presta, na realidade, um grande desserviço à nossa população.

Mas o que temos visto é uma caminhada que vai exatamente no sentido contrário. A despeito de ter escolhido um Ministro das Comunicações que supera, em muito, o anterior, as ações e declarações de Dilma só reforçam uma linha de subserviência aos grandes meios.

A gota d'água foi esta participação da presidenta na festa de aniversário da Folha de São Paulo. Ora essa, não estamos falando de qualquer grande jornal. Estamos falando da Folha de São Paulo que, entre outras coisas graves,  foi uma das grandes defensoras da ditadura no Brasil.  Inclusive, foi esta Folha que no início da campanha eleitoral em 2010 publicou uma ficha falsa da então candidata Dilma com a clara intenção de denegrir sua imagem estigmatizando-a como terrorista e assassina.

Ao que consta, chegou até a repetir a frase já pronunciada na sua posse, de preferir "o som das críticas de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras". Colocar as coisas desta maneira não contribui em nada com a nossa luta por uma comunicação democratizada. Só reforça o debate do grande capital na mídia que afirma que qualquer medida contrária aos interesses dos grandes meios é sinônimo de autoritarismo.

Acho que Dilma cai novamente no erro de achar que pode dobrar alguns destes jornalões. Não conseguirá. E parece que não aprendeu nada nas eleições.

E aí entra uma outra preocupação: que papel desempenhará grande parte dos blogs brasileiros que se convencionaram a chamar-se de "Blogs Progressistas".
Acompanho parte deles pelos próprios blogs e pelo twitter e pude constatar o que muitos deles já explicitaram: terão como papel neste 4 anos fazer uma defesa do governo Dilma e ponto final. É uma postura que não contribui em nada com aumento da consciência de classe. São estes blogueiros e blogueiras que estão tentando justificar a ida de Dilma à festinha da Folha de todas as maneiras. Mesmo que pareçam justificativas ridículas.

É preciso fortalecer um campo na mídia dita alternativa no Brasil que aja com mais consciência crítica. Que não se paute apenas em ser situação ou oposição com relação ao governo. Mas que seja radical no aprofundamento das questões que sejam importantes ao povo brasileiro.


domingo, 6 de fevereiro de 2011

100 anos do nascimento de Carlos Marighella

Estou de férias. E as semanas do pré-férias foram bem corridas, como imagino que sejam todas.

Uma semana em Salvador na Assembléia Nacional da Consulta Popular, além de rever boas amigas e bons amigos. E agora no Rio de Janeiro, uma semana com os tios Lula e Gina. E uma outra ótima oportunidade para rever outros amigos.

Estou muito animado para este 2011 de muito trabalho, aprendizado e militancia. A Assembléia ajudou muito neste processo.

Despeço-me com trecho de escrito do Florestan Fernandes sobre Carlos Marighella. Este ano seria o centenário, se vivo, deste grande lutador de nosso povo e que muito nos inspira para o dia-a-dia.


"Esse Marighella, que alcança a plenitude nos derradeiros anos, interessa a todos nós pela maneira de colocar a problemática do marxismo revolucionário no Brasil. Sua principal contribuição consiste em realçar a adequação política envolvida nas asperezas e nas possibilidades da sociedade brasileira. Sob muitos aspectos, aparece entre os grandes revolucionários da nossa época, que não assimilavam o marxismo passivamente, pois entenderam teoria e prática como resultantes de condições históricas específicas, combinadas a fins que se repetem em escala geral. Elaborou, desse modo, suas concepções de síntese, adequadas às atividades concretas, opondo-as às abstrações do padronizado ABC do comunismo. (...)"


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