quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Carnaval de Olinda e Recife


Nas últimas semanas pouco escrevi para o blog, como ja expliquei em postagem passada. Mas talvez seja a época do ano em que o blog receba mais visitas. E o motivo é claro: postagens que já fiz sobre Frevo e sobre o nosso carnaval. Isso é claro ao analisar as estatísticas.

Mas enfim... este ano não tinha feito nenhuma postagem ainda sobre carnaval. Farei agora. Pequenas análises.

De uma maneira em geral é preciso ficar claro que o nosso carnaval tem ficado melhor ano a ano.
O incentivo a descentralização em Recife, depois seguido por Olinda e Governo do Estado, é uma das políticas responsáveis pela retomada do nosso carnaval. A semana "pré", bancada pelo Governo Estadual em Olinda, é uma excelente iniciativa.

Houve claramente uma profissionalização na forma de encarar o nosso carnaval. Acho que na questão da segurança houve um bom avanço. Pude percorrer todo o Galo da Madrugada e não observei uma briga sequer. Nem nos outros dias. Sinto que a divulgação também tem aumentado. O que tem resultado em um bom aumento na galera que vem de fora. Tanto para hoteis e pousadas, quanto para a casa de conhecidos, como é bem comum.

De negativo, ainda pesa a falta de banheiros. E na falta destes, muitas ruas ficam com cheiro de urina o tempo todo. É horrível. Além de ser um transtorno, em especial para as mulheres.

Outro ponto em que precisamos avançar, apesar de enorme melhora nos últimos anos, é na inovação de nossa música. E não que não se faça mais músicas de qualidade. Mas não há divulgação, nem nenhum trabalho nesse sentido. E vou mais além. Até das músicas antigas, ainda ficamos nos prendendo nas mesmas. Garanto que há muita música boa, antiga, mas que são ainda quase que desconhecidas. As orquestras e bandas com pequenas pesquisas podem levantar muita coisa boa.
Destaco a Orquestra Popular da Bomba do Hemetério com o Maestro Forró. Tem apostado muito na inovação e fazem um show muito bonito de se ver e de se dançar. Mas a própria Orquestra do Spok, que tanto admiro, quase que nada inovou em 1 ano. Até as músicas de Chico Science que cantam são as mesmas (o que não é uma exclusividade).

Ahh. Senti um maior espaço para o frevo de bloco este ano. Inclusive na imprensa nacional. Contou para isso a homenagem da prefeitura a Getúlio Cavalcanti. Muito bom isso.

No mais, o nosso carnaval tá muito bom de se brincar. A propaganda com Marcelo Adnet, e participaçao do meu primo Jarbinhas, matou em cheio: Não dá pra curtir todo o carnaval em 4 dias. É muito carnaval pra pouco tempo!
Ficou para trás a época de comparar o carnaval da Bahia com o de Pernambuco. Não existe mais isso.



domingo, 7 de fevereiro de 2010

Rafael Barrett por Eduardo Galeano


Há alguns meses publiquei aqui no Propalando um texto acerca do livro "Soledad no Recife" de Urariano Mota. (veja aqui)

Pois bem. Lendo o livro "O Século do Vento", volume 3 da série Memória do Fogo de Eduardo Galeano me deparo com dois pequenos textos sobre Rafael Barrett, avô da militante Soledad Barrett, personagem do livro de Urariano.

Eis os escritos:

Barrett

Pode ser que ele tenha vivido no Paraguai antes, séculos ou milênios antes, quem sabe quando, e tinha esquecido. O certo é que há quatro anos, quando por acaso ou curiosidade Rafael Barrett desembarcou neste país, sentiu que tinha chegado a um lugar que o estava esperando, porque este infeliz lugar era seu lugar no mundo.

Desde então discursa para o povo nas esquinas, trepado num caixote, e nos jornais e folhetos publica furiosas revelações e denúncias. Barrett se mete nesta realidade, delira com ela e nela se queima.

O Governo o expulsa. As baionetas empurram para a fronteira o jovem anarquista, deportado por ser agitador estrangeiro.

O mais paraguaio dos paraguiaos, a raiz mais plantada neste terra, a saliva mais saliva desta boca, nasceu nas Astúrias, de mãe espanhola e pai ingles, e educou-se em Paris.

As plantações de Mate

Um dos pecados que Barrett cometeu, imperdoável violação de tabu, é a denuncia da escravidão nas plantações de erva-mate.

Quando, há quarenta anos, acabou a guerra de extermínio contra o Paraguai, os países vencedores legalizaram, em nome da civilização e da liberdade, a escravidão dos sobreviventes e dos filhos dos sobreviventes. Desde então os latifundiários argentinos e brasileiros contam por cabeças, como se fossem vacas, seus peões paraguaios.

O Propalando vive!

Não, o blog não está esquecido e nem será deixado de lado neste novo momento.

As postagens foram mínimas em janeiro, pois tô num período de organização do que vai ser meu ano. Para quem não sabe (dos poucos, mas nem tão poucos leitores, tá, Fred?) me formei e até já tenho trabalhado como médico.

Em outro momento coloco um pouco aqui dos meus projetos. De qualquer forma, mais do que nunca pretendo manter este blog como espaço de diálogo e contato com @s amig@s.