quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Samba de Eduardo Gudin

Tempão que não postava nada sobre música. Esta agora é para colocar dois vídeos com músicas do Eduardo Gudin.

Esse sambista tem centenas de músicas gravadas pelos mais diversos intérpretes. Sua parceria mais douradora se deu com outro grande nome da nossa música: Paulo César Pinheiro. Esta dupla até já foi citada em postagem aqui em 2007 (aqui), quando falo do lp "O Importante é que a nossa emoção sobreviva" de 1975.

Pois bem, as duas músicas em formato de vídeo que posto aqui são:
"Veneno" e "Lá se vão meus anéis". Com Theo da Cuíca, Márcia e o próprio Eduardo Gudin. Aliás, a Márcia também participa de algumas faixas do lp que citei a pouco do Gudin e do PCP.

Eis os vídeos. Samba de primeiríssima qualidade.





quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Carta de Carlos Nelson Coutinho sobre 2010

Publico abaixo a carta que Carlos Nelson Coutinho escreveu a Luciana Genro acerca do apoio do PSOL à candidatura de Marina Silva. Muito boa!

Carta de Carlos Nelson Coutinho sobre 2010

14/11/2009

Querida Luciana,

Li com atenção a tua declaração de apoio a Marina e a resposta de nosso bravo Temer, onde sou citado. Quero dizer, antes de mais nada, que não me considero “à esquerda” dos que defendem, em nosso Partido, o apoio a Marina, até porque estou de pleno acordo com os princípios estratégicos pelos quais este apoio é justificado, sobretudo em tua declaração.

Em outras palavras: concordo plenamente que devemos evitar o isolamento, devemos fazer alianças etc. etc. Se eu não acreditasse em tais princípios estratégicos, não teria militado por mais de vinte anos no velho PCB. Fico feliz em ver que vc, mas também muitos outros companheiros, compreenderam a validade geral destes princípios, que eu não hesitaria em chamar de leninistas.Mas, como dizia o velho Lenin, a alma do marxismo é a análise concreta de situações concretas. Os meios para sair do isolamento — e a natureza das alianças que devem ser buscadas para que isso ocorra — dependem sempre de uma análise de cada caso concreto. A justeza do princípio não assegura automaticamente a sua correta aplicação. A história do PCB está repleta dessa combinação entre um princípio justo e uma aplicação desastrosa. Esta história demonstra como é difícil se manter no estreito fio da navalha entre um princípio correto (o de evitar o isolamento e de fazer alianças) e o mais deslavado oportunismo. A incapacidade de fazê-lo é uma das razões do declínio do PCB.

Um raciocínio semelhante vale para o PT. Demorei a entrar no PT, mesmo depois de minha saída do PCB, porque não concordava com a política isolacionista que marcou os primeiros anos do Partido. Aderi ao PT quando ele começou a compreender, embora ainda com limitações, os princípios que vc defende hoje. E o abandonei precisamente quando tais princípios, mal aplicados, levaram a alianças oportunistas, como aquelas que Lula fez para ser eleito e governar. Entrei no PSOL temeroso de que o Partido, em sua maioria, optasse por uma política isolacionista. Até por isso, fiz a brincadeira, mencionada pelo Temer, de que eu estava à direita. Saúdo com alegria o fato de que lideranças tão expressivas como vc, Robaina, Martiniano e tantos outros estejam defendendo uma política de alianças, no esforço para evitar o isolamento. Concordo inteiramente com a ideia de que o PSOL não deve ser um simpático bando de abnegados que dão um testemunho da sua coerência, mas sem que isso tenha a menor incidência na vida real de nosso povo.

Portanto, o que agora nos divide não são os princípios, mas sua apliação a um caso concreto. O apoio a Marina significaria uma aliança com o PV, um partido liderado nacionalmente por figuras como Sirkis, Sarneysinho, Gabeira etc. Com que autoridade combateríamos a aliança do PT com o PMDB, com os Meireles da vida etc., e justificaríamos ao mesmo tempo a nossa com tais figuras, quase sempre aliados do DEM e do PSDB? E vc acha que teríamos algum espaço na construção do programa da candidatura Marina? Teríamos ocasião de defender o socialismo e mostrar que o capitalismo não pode resolver os problemas ecológicos? No seio de tal aliança, não lastreada num programa claro, perderíamos nossa identidade — uma identidade ainda pouco definida e que, por isso, precisa ser fortalecida.

Não quero aqui discutir a figura de Marina. O que importa avaliar é o que ela e seu partido representam no cenário político de hoje. Como ela certamente não vai ser eleita, teríamos o desprazer de ver nossos aliados desembarcando em massa na candidatura tucana no segundo turno. E se, por milagre, ela o fosse, teríamos certamente desprazeres ainda maiores, ao ver como ela comporia o seu governo. Por outro lado, ao contrário do que vc supõe, não creio que este apoio fortaleceria o nosso Partido. Nisso, como em tantas outras coisas, faço minhas as palavras do Temer.

Por tudo isso, fui e continuo favorável à candidatura da Heloísa. Entre outras coisas porque o risco de que ela não seja eleita para o Senado — um risco real — seria, caso concretizado, uma catástrofe para nós. Não sendo Heloísa a candidata, continuo defendendo uma candidatura própria. Pouco importa que este candidato seja Plínio, Temer, Chico Alencar ou… vc. (Uma bela candidata!). Entre outras coisas, isso manteria a possibilidade de uma aliança com o PSTU e o atual PCB, que certamente estão à minha esquerda, mas com os quais partilho o empenho na luta por uma nova sociedade.

Bem, querida, dixi et salvavi animam meam. Desculpe por ter escrito um e-mail tão grande. É que, tal como se dá com vc, o tema me é muito caro.

A correta resolução desta questão me parece condição para a sobrevivência do PSOL.

Saudades. Um beijo grande,

Carlos Nelson

Não me aborreceria se vc divulgasse este meu e-mail.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Marina e as doações pela internet


Desde o início das movimentações que tenho visto a pré-candidatura de Marina Silva, do PV, com muitas ressalvas. Muito porque ela surgiu bancada por setores da direita do nosso país. E tem apostado num fraco debate ambiental, pois não faz um verdadeiro enfrentamento às raízes dos problemas. Não vejo como avançar na questão do ambiente nos marcos do capitalismo.

Alguns setores do PSOL fazem a defesa da aliança com Marina argumentando que ela pode sim apresentar um programa de esquerda nas eleições. Acho difícil. O PV é um "balaio de gato" e não acho que a direita abriria mão desta forma, fortalecendo assim uma candidatura de fato progressista. O PSOL aposta nisso. Achos que as próximas semanas trarão uma maior clareza para este cenário.

Mas esta postagem surgiu para comentar algo que li nos noticiários e, então busquei o sítio oficial do PV para melhor certificar-me. O Partido Verde apostará nas doações pela internet. Querem apostar na repetição, mesmo que parcial, do fenômeno Obama que arrecadou US$ 500 milhões, sendo que a média de doação individual não ultrapassou US$ 100.

Acredito que será pífio o resultado. Por dois motivos principais: em primeiro lugar, não dá para comparar o acesso à internet nos Estados Unidos com o aqui existente. E em segundo lugar, na linha do que apresentei no início da postagem, não se tem clareza de quem estará por trás da candidatura de Marina. Serão forças de direita? Serão forças progressistas? Serão só grandes empresários? Não há quem consiga responder a esta pergunta hoje. E quem vai querer bancar algo sem saber se tem procedimento, como diz o matuto e a matuta?

Posso me equivocar nas análises e a candidata Marina vir a apresentar um programa que avance qualificadamente em questões ambientais e sociais, tornando-se uma alternativa popular nas eleições em 2010. Mas acho muito remoto. Muito mesmo.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Arte e Política. Arte é Política?

Tchau, Jarbas! (Gil Vicente)

Lembro de debates acalorados que tinha sobre arte e política com Fredão, médico, ator e comentarista contumaz deste blog. Talvez naquela época carregasse um tantinho mais de leiguice que hoje.

Não vem ao caso o que penso agora, mas a essência do que dizia na época era o seguinte: não existiria arte sem política. Não me referia, necessariamente, à arte panfletária. Mas não concebia a arte pela arte. Lembrei dessa história ao ler reportagem no jornal de hoje que fala da mostra: Nós-Vó-Gov: O que pode e o que não pode que tem início na próxima sexta-feira no Núcleo de Artes Visuais e Experimentais, na rua do Lima, aqui no Recife. A exposição reunirá os artistas Gil Vicente, Flávio Emanuel e Rodrigo Braga.

A reportagem trata do intencional conteúdo político das obras. Chamo atenção para duas.

As de Gil Vicente tratam-se de espécies de auto-retratos em que ele aparece apontando armas pra representantes de instâncias do poder político-social e religioso. No início e no final da postagem publico dois deste desenhos.

Já o Flávio Emanuel fez uma intervenção que, digamos assim, provocou certa mobilização de aparatos do estado. Ele produziu um artefato parecido a uma bomba e colocou próximo a uma agência da Celpe (companhia de energia de Pernambuco privatizada por Jarbas) localizada na Conde da Boa Vista, principal avenida do centro do Recife. Quando percebido (o artefato), a agência foi fechada, a avenida interrompida. Todo um protocolo foi seguido até que a suposta bomba fosse detonada. Agora, o interessante: a polícia anunciou à imprensa, após a detonação, que foram encontradas uma série de frases desconexas escritas num papel que estava dentro da "bomba". Mas não eram frases desconexas: o artista escreveu "eu te amo" em vários idiomas.

Reproduzo o trecho da reportagem:
"A idéia de Flávio Emanuel era chamar a atenção para o que artista considera uma nova forma de ditadura, não política, mas econômico-social, já que todos os cidadãos estão subordinados, de algum modo, aos caprichos de prestadores de serviço - telefônicas, empresas de energia elétrica, cartões de crédito e órgãos governamentais."

A despeito de algumas divergências teóricas, ótima ação, não?


Minha legenda livre seria: "Vende o país agora, seu merda!"

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Caso da expulsão na Uniban


No meu internato no curso médico, período composto quase que exclusivamente pela prática médica em hospitais e serviços de saúde, escutei muito durante o rodízio em determinado hospital uma expressão, dita por residentes, que era: "aqui só pode estar chovendo de baixo pra cima!!!".

E quando ela era dita? Principalmente quando algum doutorando, como são bizarramente chamados os estudantes de medicina no internato, "ousava questionar a autoridade" de alguém hierarquicamente superior ali no serviço.

Exemplifico: se um residente pede que o doutorando cumpra determinada tarefa e este questiona se realmente é seu papel, o caminho estava aberto para um sonoro: "aqui só pode estar chovendo de baixo pra cima!!!".

Lembrei desta historinha porque foi a primeira frase que me veio a cabeça ao constatar o gigantesco ABSURDO neste caso todo da Uniban.

Não sabe o que aconteceu na Uniban? Vou resumir com minhas palavras: uma estudante foi covardemente agredida (de várias formas, menos fisicamente) por outros estudantes que julgaram que a saia dela seria curta demais. Sendo assim, tinham o direito de a chamar de "puta" e de a ameaçar "estupro". A coisa ganhou tal proporção, que a moça teve que sair escoltada pela polícia militar. ABSURDO, não? Mas não foi só isso: provocou-me asco ver senhores e senhoras ditos "formadores de opinião" da grande imprensa julgando a postura. Não cabe nem discorrer sobre isso. Muitos devem ter visto. ORA ESSA: os criminosos são os potenciais estupradores! PONTO FINAL! Não machuquem meus ouvidos falando que "ela quis provocar" e outras burrices mais!

Mas enfim. Quando eu achava que nada mais PODIA acontecer, a tal universidade vem e EXPULSA a garota com argumentos dos mais atrasados possíveis. Dignos do que poderíamos esperar do Olavo de Carvalho ou do Reinaldo Azevedo, da Veja, sobre o caso.

Para mim, isso é reflexo do que já venho percebendo em outras movimentações. A direita, com seus discursos reacionários, tem ganho espaço e tem avançado. Menos mal é que podemos observar avanços na organização da esquerda também. Apesar do momento de descenso da luta de massas. O que também dá outra postagem, mas fica para outro momento.

domingo, 8 de novembro de 2009

Marmelada no futebol brasileiro

Qual a sua preocupação, Ricardinho?

Não tem jeito. Eu admito... admito "dicumforça". Futebol ainda é um dos meus principais defeitos. E não me refiro à minha prática com a pelota, pois até desenrolo bem como goleiro. Estou falando é de futebol de uma maneira em geral.

Não é preciso nem muita inteligência para ligar os pontos e ter a noção de que os rumos do futebol são definidos pelo grande capital. E achar que este poder é exercido apenas na definição de horários ou na composição da tabela é ingênuo. Não faria sentido para quem ganha dinheiro com futebol arriscar seus lucros.

É vergonhoso o que está sendo feito para manter os times cariocas na chamada elite do futebol brasileiro. O pessoal do sudeste/sul do país costuma desqualificar dizendo que isso é "complexo de inferioridade". Mas eu chamo para uma simples reflexão: para a Globo e para os patrocinadores do futebol, faz mais sentido ter Sport e Náutico na dita elite ou ter Fluminense e Botafogo? Ora essa. É simples. Não tem segredo. E sendo mais lucrativo a permanência destes na 1ª divisão, por que não um acordo aqui, uma troca de favor alí? Ninguém tá nessa porque o futebol é uma "caixinha de surpresas". Taí uma expressão muito da mentirosa.

E algo que me chama a atenção é o que vi hoje. Quando o prejudicado eventualmente é um time do sul/sudeste, como foi o palmeiras hoje contra o fluminense, o fato ganha uma notoriedade impressionante.

Mas enfim... um dia eu aprendo. Ainda acredito, e Eduardo Galeano me ajudou nessa reflexão, que o futebol pode trazer coisas boas para o nosso povo. Para além de ser circo. Mas deixo para uma outra postagem. E não tô assim pelo mau momento do Sport. Dá pra encontrar comentários nessa linha até no inicio do ano.

Aproveitando a deixa... é incrível como uma má administração acaba com um clube. Para além do que já somos prejudicados por CBF, globo, juízes, etc, tínhamos tudo para jogar um bom futebol. Mas Silvio Guimarães e Milton Bivar estão colocando o Sport na 2ª divisão com uma folha salarial maior que R$ 1 milhão. E não adianta quando tentam tirar a culpa de Milton afirmando que ele rachou com Sílvio. Ele usou todo seu capital político para colocar este grupo no poder no Sport. E tem que arcar pelos seus erros.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

40 anos da morte de Marighella

Hoje, completam-se 40 anos da morte de Carlos Marighella. Grande lutador do povo brasileiro. Um dos maiores combatentes da ditadura militar em nosso país. Segue abaixo treco de Antonio Candido sobre o Marighella:

"(...) Carlos Marighella foi abatido pelas forças de repressão da ditadura. Naquele momento elas não mataram apenas o militante intemerato de uma organização de luta, mas um líder que encarnava as aspirações de liberdade e justiça do povo brasileiro.

Os que assumem a grave responsabilidade de combater pelo interesse de todos tornam-se símbolos e constituem patrimônio coletivo. Carlos Marighella deu a vida pelos oprimidos, os excluídos, os sedentos de justiça. Ao fazê-lo, transcendeu a sua própria opção partidária e se projetou na posteridade como voz dos que não se conformam com a iniqüidade social."


Abaixo, poema de autoria do Ademar Bogo, escrito ontem:
A
Venceste Carlos

Bahia, 3 de novembro de 2009
Ademar Bogo


Se a tarde caiu e não voltaste
Sem consciência do tempo...
Nem percebeste que a morte,
Não significara uma vitória.
Gélido, calado...
Pensavam tornarem-no inofensivo.
Eles são assim!
Só prestam para a repressão
Se continuarem vivos:
Mortos, ficam só, viram pó.
Ouvistes vós uma rememoração sequer;
Uma sequer, dos 40 anos de Fleury?
Nós, voltamos a Alameda
E sentimos o pulsar dos corações
Tangendo lágrimas sinceras
São sentimentos reunidos de várias gerações.
E lá distante, as crianças entram para a escola
E a professora, lembra o dia 4 com poesia!
Fala de Carlos como se fosse o pai,
O avô, um sábio, um santo, um guia...
Em outras partes: exaltados debates,
Trazem de volta o ser conquistador
O comandante da Ação usa a palavra
Na voz de um jovem admirador;
Gritos de viva irrompem das janelas
Venceste, Carlos, a causa do amor.
Em mil lugares teu nome aparece
Em preces, aulas, placas e poesias,
Na ponta longa da amável tristeza
Amarram-se os laços da alegria.
Num tempo estranho
Contamos a tua glória
Neste presente de pobre ideologia
Se em nossas veias teu ânimo corre
Em nossas mentes, vives na utopia.

Para mais informações, acessem o sítio: http://marighellavive1969-2009.blogspot.com