terça-feira, 27 de outubro de 2009

Soledad no Recife


Há tempos um livro não me tocava como tocou Soledad no Recife de Urariano Mota. Tudo bem, o tempo pode ser um exagero, afinal não completaram-se nem 6 meses do último livro de Fausto Wolff que li (O Homem e seu Algoz). Mas não exagero sobre a sensação proporcionada pela leitura.

Poderia esperar mais tempo para digerí-lo melhor, mas não. Preferi compartilhar logo este sentimento, mesmo que caótico.

No livro, o pernambucano Urariano Mota remonta os episódios que antecederam a chacina da Chácara de São Bento (PE), mais um dos crimes da ditadura. Com um detalhe, pelas palavras de Alípio Freire na orelha do livro: "Este, porém, se destaca dos demais: os militantes foram assassinados com participação direta de um ex-companheiro que passara para a repressão e se infiltrara no movimento, José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo. Uma das militantes assassinadas, Soledad Barrett Viedma, a Sol, era sua própria mulher - e estava grávida."

Mais do que um relato histórico, esta é uma obra ficcional em que Urariano usa e abusa (no bom sentido) da poesia e nos presenteia com uma verdadeira obra de arte. Arte porque é poesia e arte porque é mais um instrumento que nos faz entender e não nos esquecer este período tão sombrio em nossa história.
É um livro triste, é bem verdade, mas não menos que essa mancha, deixada em nosso país, pela ditadura.

Flávio Aguiar na apresentação do livro diz: "Urariano Mota criou uma ficção tão impressionante que parece de verdade. De certo modo é de verdade, porque mobiliza sentimentos, sensações, percepções, culpas, paixões, ódios que foram (e são) poderosos e comuns a todos os que viveram os anos de chumbo, e a eles sobreviveram. É um romance de amor que se passa em tempos contrários ao amor"
Ousaria complementar dizendo que não mobiliza sentimentos e sensações apenas nos que viveram os anos de chumbo. Nos que não viveram também, mas que têm um mínimo de humanidade e solidariedade.

Sei que a estas alturas, a web deve estar repleta de análises sobre Soledad no Recife. Mas é até bom, pois grande parte foram produzidas por críticos literários de verdade. Minha intenção aqui foi apenas compartilhar, como falei, e recomendar a leitura!





quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Carlos Marighella vive!

Marighella vive!

Rondó da Liberdade
(Carlos Marighella)

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

Há os que têm vocação para escravo,
mas há os escravos que se revoltam contra a escravidão.

Não ficar de joelhos,
que não é racional renunciar a ser livre.
Mesmo os escravos por vocação
devem ser obrigados a ser livres,
quando as algemas forem quebradas.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

O homem deve ser livre...
O amor é que não se detém ante nenhum obstáculo,
e pode mesmo existir quando não se é livre.
E no entanto ele é em si mesmo
a expressão mais elevada do que houver de mais livre
em todas as gamas do humano sentimento.

É preciso não ter medo,
é preciso ter a coragem de dizer.

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

Ze Cafofinho e Suas Correntes


Sem muita enrolação, para mim é o que há de melhor na música pernambucana dos últimos anos (junto com Eddie e Bonsucesso). Tô falando do som produzido por Zé Cafofinho e Suas Correntes.

Zé Cafofinho é Tiago Andrade, conhecido na música pernambucana já há 10 anos, e tem como instrumento principal sua viola de arco. As Correntes são Cláudio Negão (baixo), Felipe Gomes (banjo), Márcio Oliveira (trompete) e Márcio Silva (bateria).

Esta banda com nome estranho faz um som muito bom. Não vou nem ficar aqui tentando definir a parada. Só sei que dá para captar samba, jazz, ska, brega. Li trecho de um texto na internet que nos ajuda: "O resultado dessa alquimia dá identidade ao show, cujas letras passeiam, em tons de crônica, por motivos como a boemia, a malandragem, a cachaça, o amor, a lembrança, as paisagens do morro da periferia e as cenas da vida corriqueira."

Antes do atual trabalho, Tiago Andrade construiu outros projetos como a Variant e a Songo.

Zé Cafofinho e Suas Correntes acaba de lançar seu 2º álbum. Chama-se "Dança da Noite". Dois anos após o 1º: "Um pé na meia e outro de fora". E segue a mesma linha. Talvez apostando um pouco mais na diversidade rítmica. Talvez um som mais maduro. Mas o que importa a descrição? Os dois álbuns se completam.

Disponibilizo abaixo alguns exemplos para experimentação:
Música Xangô BR pela Songo


A mesma música Xangô BR, mas já tocada pela Ze Cafofinho e Suas Correntes em seu 1º álbum


E agora, duas músicas do 2º álbum:
Xirlei. Contém uma boa pitada do brega/tecnobrega


E Torcida



Para mais informações: http://www.myspace.com/zecafofinho
O álbum Dança da Noite pode ser baixado por esse link que copiei do blog DNA - Discoteca Nacional.
Já o 1º, Um pé na meia e outro de fora, não encontro de jeito nenhum e tô precisando sair. Mas depois disponibilizo.

AHHH. E antes que me esqueça, o show de lançamento é no próximo dia 15/10, no Teatro Barreto Júnior, às 21h, no Recife.

Ocupação do MST

NOTA
Esclarecimento sobre a ocupação do MST em Iaras (SP)

Cutrale usa terras griladas em São Paulo

Cerca de 250 famílias do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) permanecem acampadas desde a semana passada (28/09), na fazenda Capim, que abrange os municípios de Iaras, Lençóis Paulista e Borebi, região central do Estado de São Paulo. A área possui mais de 2,7 mil hectares, utilizadas ilegalmente pela Sucocítrico Cutrale para a monocultura de laranja, que demonstra o aumento da concentração de terras no país, como apontou o censo agropecuário do IBGE.

A área da fazenda Capim faz parte do chamado Núcleo Monções, um complexo de 30 mil hectares divididos em várias fazendas e de posse legal da União. É nessa região que está localizada a fazenda da Cutrale, e onde estão localizadas cerca de 10 mil hectares de terras públicas reconhecidas oficialmente como devolutas, além de 15 mil hectares de terras improdutivas.

A ocupação tem como objetivo denunciar que a empresa está sediada em terras do governo federal, ou seja, são terras da União utilizadas de forma irregular pela produtora de sucos. Além disso, o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) já teria se manifestado em relação ao conhecimento de que as terras são realmente da União, de acordo com representantes dos Sem Terra em Iaras.

Como forma de legitimar a grilagem, a Cutrale realizou irregularmente o plantio de laranja em terras da União. A produtividade da área não pode esconder que a Cutrale grilou terras públicas, que estão sendo utilizadas de forma ilegal, sendo que, neste caso, a laranja é o símbolo da irregularidade. A derrubada dos pés de laranja pretende questionar a grilagem de terras públicas, uma prática comum feita por grandes empresas monocultoras em terras brasileiras como a Aracruz (ES), Stora Enzo (RS) entre outras. Nossa ação não é contra as laranjas, mas contra a Cutrale. Infelizmente, as influencias da empresa na imprensa nacional, manipulou o protesto dos ocupantes, para esconder a verdadeira situaçao. A mesma imprensa esqueceu de comentar que usando os metodos mais escusos possiveis a CUTRALE se transformou numa empresa que monopoliza todo comercio de laranjas do estado de são paulo. E que superexplora os agricultores dela dependentes.

O local já foi ocupado diversas vezes, no intuito de denunciar a ação ilegal de grilagem da Cutrale. Além da utilização indevida das terras, a empresa está sendo investigada pelo Ministério Público do Estado de São Paulo pela formação de cartel no ramo da produção de sucos, prejudicando assim os pequenos produtores. A Cutrale também já foi autuada inúmeras vezes por causar impactos ao ecossistema, poluindo o meio ambiente ao despejar esgoto sem tratamento em diversos rios. No entanto, nenhuma atitude foi tomada em relação a esta questão.

Há um pedido de reintegração de posse, no entanto as famílias deverão permanecer na fazenda até que seja marcada uma reunião com o superintendente do Incra, assim exigindo que as terras griladas sejam destinadas para a Reforma Agrária. Com isso, cerca de 400 famílias acampadas seriam assentadas na região. Há hoje, em todo o estado de São Paulo, 1.600 famílias acampadas lutando pela terra. No Brasil, são 90 mil famílias.

Direção Estadual do MST-SP

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Deputados brasileiros em Honduras

Eu nem tinha tempo para postar, mas não podia deixar de compartilhar aqui mais uma picaretagem de alguns deputados federais que visitaram Honduras recentemente.

A denúncia está no sítio do Luiz Carlos Azenha. Uma das postagens é esta: http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/heloisa-os-deputados-e-michelleti/

O fato é que uma comissão de 6 deputados federais estiveram em Tegucigalpa com o objetivo de ter uma conversa com parlamentares hondurenhos e com o presidente deposto Manuel Zelaya. Mas ao final do encontro, um grupo de quatro parlamentares optou por ter também um agradável bate-papo, regado a vinhos e comidinhas, com o golpista Micheletti. Os quatro picaretas foram: Raul Jungman (PPS-PE), Claudio Cajado (DEM-BA), Bruno Araújo (PSDB-PE), Maurício Rands (PT-PE). Três pernambucanos, hein?
Recusaram-se a participar deste vergonhoso encontro o
Ivan Valente (PSOL-SP) e a Janete Pietá (PT-SP). Ponto para estes.