domingo, 27 de setembro de 2009

Do conservadorimo do Jornal do Commercio

Aqui em casa tínhamos a assinatura do Jornal do Commercio. Cancelamos quando um jornalista foi demitido porque ousou falar mal de Jarbas Vasconcelos. Foi o Inaldo Sampaio que tinha 22 anos de JC. Não que não soubéssemos que o jornal de João Carlos Paes Mendonça fosse um importante meio da burguesia pernambucana. Mas o discaramento encheu o saco.

Enfim... vinha tendo um domingo agradabilíssimo. Corridinha na praia logo cedo, café-da-manhã saudavel. Sento pra ler o JC. Não demorou para ficar com raiva.
Parece que não aprendo. Já não suporto ouvir os comentários do Scarpa (escreve coluna na 2ª capa) e o do Laurindo Ferreira (Diretor-Adjunto de Redação) na CBN/Recife. Mais do que extremamente conservadores são muitos ruins. Muito mesmos. Mas não é o motivo da postagem.

Dois tópicos da coluna "reporter JC" (escrita pelo tal do Scarpa na 2ª capa) me chamaram a atenção:

A primeira ele credita ao cronista Joca Souza Leão: "Zelaya foi deposto porque quis aprovar emenda permitindo a sua reeleição. Se FHC fosse presidente de Honduras, teria sido deposto"
E a segunda, ele credita a um leitor (SIC) de nome Adalberto Torres: "Não bastassem os Zés daqui, abrigamos agora um de lá, o Zé Laya"

Para a primeira frase, eu digo: não, caro cronista. FHC não cairia em Honduras, pois ele é e sempre foi construtor do projeto neoliberal. Sempre foi o representante das elites no governo. Se caisse, seria pelas mãos do povo. Não por um golpe militar.

Para a segunda frase, só uma risada: hahaha. Merece comentário tal comparação?

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Isso eu elogio: Honduras e Zelaya

Embaixada brasileira em Honduras


Pau quando é de pau e, agora, elogio quando é de elogio.
Acho que há de se parabenizar a postura de Celso Amorim e do governo federal frente à tensão em Honduras.

Em primeiro lugar, é preciso que fique claro que o que está em jogo não é a pura defesa do Zelaya, presidente recém-deposto por meio de golpe militar naquele país. Sabemos nós que ele não é nenhum marxista, por assim dizer. Mas posicionar-se contra golpes militares desta natureza deve estar na ordem do dia para os progressistas de todo mundo, e ,em particular, da América Latina. Para além disso, é preciso reconhecer os avanços na relação do Manuel Zelaya com outros países com governos mais progressistas da região.

O que venho saudar aqui é defesa peremptória que o presidente Lula tem feito na imprensa internacional e em seu discurso na ONU: "A comunidade internacional exige que Zelaya reassuma imediatamente a presidência de seu país", disse Lula na abertura da 64ª Assembléia Geral da ONU em Nova Iorque.
Tudo bem que a ONU é uma instituição falida e que não tem poder nenhum. Mas este é um outro assunto...
E não só os discursos, mas também o abrigo do presidente deposto na Embaixada Brasileira em Tegucigalpa.

A imprensa brasileira tenta desqualificar este gesto, ora dizendo que foi uma ação articulada na recente visita de Manuel Zelaya ao Brasil, ora dizendo que a ocupação 'surpresa' foi obra de Hugo Chávez, forçando assim que o Brasil fosse mais ativo na questão.
Lamento, 'queridos formadores de opinião", mas sendo uma coisa ou outra, ganhou o povo de Honduras.

Enfim, vamos aguardar o desenrolar da história e manifestar nossa solidariedade com a população hondurenha da forma que pudermos.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Debate eleitoral

Por alguns comentários, parece-me que o debate eleitoral merece mais algumas linhas, não é?

Esta semana tenho minha última prova no curso!! Apesar de mais um rodízio...

Enfim, depois disso, escrevo algo por aqui

sábado, 5 de setembro de 2009

Isso eu não concordo

E já que na última postagem falei em perdão. Tem algo que até entendo. Chego a perdoar, por tratarem-se de amigos e amigas em sua maioria, mas não concordo de jeito nenhum.

É o tal do voto útil em candidaturas do PT. Já há alguns anos que a é a mesma. São aquelas e aqueles camaradas que passam 3 anos criticando o governo, criticando o Lula, criticando o PT, mas em ano eleitoral parece que não existem mais problemas.

E nem é preciso muita conversa pra se chegar no seguinte diálogo:
- Mas tu vai votar em Dilma mesmo? (ou qualquer outra candidatura em outros níveis)
- Não queria votar em Dilma, sabe, Ari... além de ter muitas críticas. Mas entre ela e o Serra, eu prefiro ela.

Das duas, uma:
1 - Ou essa pessoa ta muito feliz com nosso sistema de representação e acha que as coisas devem caminhar do jeito que estão mesmo.
2 - Ou essa pessoa não está feliz com nosso sistema de representação e nossa falsa democracia.

No caso da segunda alternativa é que o bicho pega. Por que só visualizo dois caminhos:
Ajudar a construir uma outra alternativa dentro dos moldes da democracia burguesa ou questionar seriamente nosso sistema eleitoral e passar a construir a luta dentro de uma outra perspectiva, que tire do foco a luta institucional. Pelo menos por ora.

Aí, de um tempo para cá, sempre pergunto: "Mas e ai? Vai fazer assim sempre?" Poucas vezes ouvi algo diferente de um: "não sei, ari..."

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Isso eu não perdôo


Ontem, numa conversa demorada com amigos, discutíamos opiniões sobre o futuro do nosso povo e sobre quais seriam os caminhos mais viavéis, na visão de cada um, acerca dos próximos passos da esquerda em nosso país e em Pernambuco.

E durante o debate, por mais de uma vez, argumentei que não deveria ser o sentimento de raiva que nos movesse em qualquer situação contra o presidente Lula.
Mas quer saber? Tem algo em Lula que me dá muita raiva. Que não tem perdão: ele deseduca nosso povo. A despeito de achar, hoje, que mesmo o mais radical dos radicais possui mínima margem de manobra dentro do governo para qualquer transformação, o presidente Lula teve uma chance histórica de inflamar o povo brasileiro para a necessidade da luta. Para a necessidade de politização de qualquer debate. Dizer que só a luta transforma nossa realidade. Mas não o fez. E não o fez por opção. Muito pelo contrário. Isso eu não perdôo.