segunda-feira, 31 de agosto de 2009

O Petróleo tem que ser nosso


Acho que ninguém vai de encontro ao fato de que a descoberta do "pré-sal" é um componente importante em qualquer debate em torno do futuro de nossa nação e de nosso povo.
Nem vou aqui discorrer muito sobre este tema, pois a motivação da postagem é exatamente uma série elaborada pela Rádio Agência NP. Mas quero fazer algumas pontuações:

Para quem eventualmente esteja por fora, um dado interessante só para se ter uma noção do que representa o pré-sal para o Brasil: Estima-se que o país tenha hoje cerca de 18 bi de barris em reservas já conhecidas. A expectativa para o pré-sal gira em torno de 50 bi de barris (com possibilidade de ser mais, inclusive). Tais reservas já representam 36bi de barris (ou seja, multiplicamos por 3 nosso total). De tal forma, já possuimos a 8ª maior reserva do mundo.

Como um diz um texto que li, o povo brasileiro está numa encruzilhada: construir um projeto político de soberania nacional e popular ou continuarmos sendo fornecedores de riquezas naturais ao capital internacional?

Algo interessante também é a forma como Lula tem se postado. Acredito que essa história toda é a cereja no bolo que faltava para ele posar de fato como o novo Getúlio.
Independente da postura do presidente, acredito que ele tenha que ser claro num ponto básico: como a renda gerada como todo este processo se tornará riqueza do nosso povo? Quais mecanismo serão usados para evitar que tal riqueza escorra pelos ralos para o porão das empresas privadas?

Acho que vários outros pontos geram um bom debate nesta questão, o que deixo para a série da Radio Agência NP. Mas há um último ponto que não quero deixar de tocar: o meio-ambiente.
Tenho muito cuidado para não parecer estes desenvolvimentistas que se lixam para a questão ambiental. Hoje, mais do que nunca, considero tal questão importantíssima nas discussoes em torno de uma sociedade socialista. Mas não dá para negar que o nosso povo pode obter muitos ganhos com o bom uso do pré-sal. E, paralelamente, também deve haver um investimento pesado no sentido de minimização dos danos e na pesquisa de fontes renováveis de energia.
Deixo agora os links. Bom proveito!

Programa 1 - Petróleo no Brasil: memória de lutas populares
Programa 2 - Pré-sal, uma riqueza desconhecida em risco
Programa 3 - As reservas de petróleo e a luta por soberania nacional
Programa 4 - Fundo Social Soberano nas mãos do povo brasileiro
Programa 5 - Uma outra inserção do Brasil no contexto mundial
Programa 6 - O petróleo e as novas fontes renováveis
Programa 7 - Mobilização: um caminho para o povo brasileiro

domingo, 9 de agosto de 2009

Eu tive um pesadelo

Esta semana eu tive um pesadelo. Nele, o presidente do Senado chamava-se José Sarney. Um oligarca que representava o que havia de mais atrasado na política nacional. No 'sonho mau', tal oligarquia, apesar de milionária e dona de quase tudo no Maranhão, inclusive canais de televisão, matinha tal estado como líder do ranking brasileiro de subdesenvolvimento. Pense num pesadelo. Mas não foi só isso.

Ele, o tal Sarney, presidia uma das sessões do senado, quando houve um bate-boca danado entre dois outros oligarcas: Renan Calheiros, de Alagoas, e Tasso Jereissati, do Ceará. Um chamando o outro de "cangaceiro de terceira categoria", o outro chamando um de "minoria com complexo de maioria" e ambos se chamando de "dedos sujos". Mas a verdade é que, no pesadelo, ambos eram sujos mesmo. Não só o dedo. Só tinham uma diferença básica: um era sujo da oposição. O outro era sujo do governo, aliado de Lula, do PT, etc.

Sabe o que mais me deixou angustiado nesse sonho ruim? Na prática não havia diferença quase nenhuma entre situação e oposição. Pois na situação, de um governo dito de esquerda, havia um tropa de choque que contava também com Fernando Collor. E, pasmem, esse tal Collor havia sido presidente da República e tinha sofrido um impeachment por envolvimento em esquemas de corrupção! Um terror. O presidente da República, um ex-metalurgico e com uma história importante de construção na esquerda brasileira, chegou a declarar em visita a Alagoas: "Eu quero aqui fazer Justiça ao comportamento do senador Collor e do senador Renan, que têm dado uma sustentação muito grande aos trabalhos do governo no Senado." Mas quer saber? Nenhuma novidade, afinal pude captar no sonho que o próprio Lula havia dito que os usineiros são heróis nacionais.
Quanto a oposição de direita, o que falar? Compõe uma burguesia que nunca teve projeto e já havia vendido (quase que de graça) grande parte do nosso país para conglomerados internacionais. Enfim, são extremamente nocivos ao nosso povo.

Já próximo ao final desse terrível pesadelo, eu tinha clara noção que não mais fazia diferença o Sarney sair ou não da presidência do senado, afinal tudo permaneceria exatamente como estava. Mas mesmo assim, aconteceu algo que só pode acontecer em pesadelo mesmo. Um troço chamado Conselho de Ética do Senado, presidido por um cara que é suplente do suplente do hoje governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, arquivou as 11 representações contra o presidente do Senado sem a menor justificativa e ainda soltando piadinhas. E nem poderia ser diferente, afinal o Presidente da República fez o que pode nos bastidores em defesa do "dono do Maranhão".

Nesse momento, quando chegava a conclusão de um novo ditado que diz: "Se conselho fosse bom, não emprestaria o nome ao Conselho de Ética do Senado", acordo e dou agora um grande suspiro de alívio por saber que tudo aquilo não era real. Mas peraí... que manchete no jornal é essa?