sábado, 26 de janeiro de 2008

FREVO DESEMBESTADO!

Nesta mesma época do ano passado vinha fazendo uma série de postagens sobre o carnaval.
Em 2008, ainda não entrei no clima "pesadamente" por assim dizer.
Avalio como fatores responsáveis por isto o ritmo de estudos e esta entrada no internato. Tenho buscado colocar muita coisa em dia e isto tem consumido bem o meu tempo.

Pois bem. Segue em anexo um texto do Prof. Luiz Gonzaga sobre o frevo. Grande rubro-negro e folião. E bom também com as palavras.

Bom carnaval pra todo mundo!


FREVO DESEMBESTADO!

Caros foliões, músicos, compositores e carnavalescos, há mais de 100 anos que uma cidade veste a indumentária da alegria. E isso se dá justo em seu momento mais apaixonante: o Carnaval. No dia nove de fevereiro de 1907, uma corruptela do verbo ferver – “O Frevo” - surge pela vez primeira em um jornal da cidade, o Jornal Pequeno. O termo tornar-se-ia sinônimo do Recife e a faria mundialmente conhecida.

Embora o Frevo tenha muitos aninhos a mais, o estabelecimento da data da sua criação não deixa de ser interessante. Mesmo que a questionemos (pois se o Frevo aparece em um jornal, é porque já existia nas ruas), não podemos deixar de comemorá-la. Cabe a nós a tarefa de permitir que, daqui a mais 100 anos, nossos netos possam comemorar os 200 anos do Frevo.

A longevidade do Frevo, enquanto fenômeno de massas, depende de múltiplos fatores. Trago à baila um deles, tema polêmico e que desagrada a alguns músicos e maestros, mas que tem de ser encarado de frente. Faço isso por amor ao nosso grandioso Carnaval e por ser Folião e Passista – esse último na medida do possível, logicamente.

Trata-se de questão aparentemente menor e que não está despertando o necessário interesse dos estudiosos: o andamento melódico do Frevo, principalmente do Frevo de Rua e Canção, que acelerou-se de forma perigosa. Infelizmente, até no Frevo de Bloco a coisa chegou, existindo alguns deles sendo executados como Frevo de Rua. Na verdade, o Frevo desembestou-se! Alguns atribuem o fato à pressa do mundo moderno: “tudo se apressou”, o que não deixa de ser parcialmente verdadeiro. Outros defendem esse fenômeno com o argumento de que o Frevo precisava e precisa modernizar-se. Mas será que tanta pressa é benéfica ao Frevo? Será que, daqui para frente, modernizar significa apressá-lo ainda mais? Para que, por quê? O andamento mais rápido do Frevo – o que pode ser entendido por alguns como modernização – já foi realizado por gigantes como Duda, Carlos Fernando, Michiles, Alceu Valença, Geraldo Azevedo, Elba Ramalho, Bubuska, além dos baianos Gil, Caetano, Morais Moreira e Gal Costa. Para que correr mais do que eles? Será que tal “modernização” não pode se dá nos arranjos, nos acordes, nas improvisações, nos efeitos especiais, ou em outros tantos aspectos musicais como estão fazendo, por exemplo, Silvério Pessoa em “Micróbio no Frevo” e no belíssimo “Balanço do Frevo” de Braz Marques e Jackson do Pandeiro. Ou ainda no “O Recife é a Cara do Seu Carnaval”, do Bubuska, no “Lágrimas de Folião” com o Spok e nos muitos Frevos reinventados por Antônio Nóbrega.

O Frevo, música ligeira e difícil por natureza, está cada vez mais difícil de ser executado. Mesmo que virtuosos instrumentistas, no afã de mostrarem suas habilidades, consigam fazê-lo, a musicalidade sofre, pois se elimina a malícia, os breques, a sutileza musical do ritmo. Como esclarece Guerra Peixe “o dinamismo rítmico do Frevo (onde se nota a presença da síncope), não está na velocidade, mas na expressão melódica (tensão e afrouxamento) e na orquestração apropriada à melodia”. Além do veloz andamento melódico, incorporou-se, graças à tecnologia, a elevação do som a níveis insuportáveis, o que gera, por vezes, distorções desagradabilíssimas. Quem brincou bem junto a um trio, sabe muito bem do que estou falando. Até nos salões, não se consegue ouvir com nitidez um comentário de um amigo, ou uma declaração amorosa carnavalesca.

No desesperado andamento melódico do Frevo, há três situações diferentes. A primeira é a das orquestras que se apresentam em estúdios. Em geral, orquestras de elevado nível, cujos músicos podem ser comparados aos nossos “ronaldinhos”, “cacás” e “robinhos”, o que, somado à tecnologia, fazem com que a pressa se torne, aparentemente, menos ofensiva aos nossos ouvidos. Em segundo lugar, as orquestras de palco, às quais podemos dividi-las em vários sub-grupos, desde o citado acima, até orquestras improvisadas de última hora, por vezes de péssima qualidade. Portanto, a pressa será tanto mais maléfica, quanto menor for a qualificação da orquestra. Ressalte-se que, ainda aqui, a tecnologia pode promover pequenos milagres.

Porém, o problema maior ocorre com as orquestras de rua, aquelas que fazem o verdadeiro Carnaval de Pernambuco, já que o Frevo nasceu na e para a rua. Na sua grande maioria, são orquestras pequenas, de parcos recursos financeiros e musicais e que, infelizmente, tentam acompanhar o modismo de se tocar um “Último Dia”, um “Corisco”, um “Relembrando o Norte” ou mesmo um “Cabelo de Fogo” – para citar apenas alguns exemplos – mais rápido que um “heavy metal”. É aí que o Frevo joga a toalha. Alguns músicos amigos, grandes instrumentistas, me confidenciaram que estão “comendo” notas até nos palcos. Imaginem, então, o que deve estar sendo “devorado” nas ruas. Após quatro Frevos, os músicos de rua estão com a língua de fora. Já para os passistas, embora também seja desgastante, eles conseguem enrolar com mais facilidade. Não comem passos, mas os acomodam para não sofrerem tanto, já que, inclusive, executam poucos e quase sempre os mesmos passos.

Sim! A coisa reverberou, logicamente, na dança. O Passo, oriundo da capoeira, portanto cheio de ginga e de improvisos, vai perdendo suas características. Os novos passistas-bailarinos teimam em demonstrar que o ritmo não é só frenético: é elétrico e, para eles, quanto mais rápido dançarem melhores passistas serão. A maioria dos passistas profissionais está dançando quase que da mesma forma. Se colocarmos dez Frevos diferentes para serem dançados, cada passista os dançará praticamente com os mesmos passos. Sem as “paradinhas”, sem a malícia, sem o improviso, sem a leveza, que ainda podem ser observados na dança de foliões-passistas de rua mais antigos, espécie em extinção. Infelizmente, este é mais um elemento desagregador, porque inibidor de foliões da terra e, principalmente, de turistas, aos quais devemos dizer que qualquer folião pode “cair no Passo”, sem ter que se preocupar com os “atletas olímpicos” dos palcos. Palco que, inclusive, confere artificialidade à dança, já que a retira do seu habitat: a rua. Fique claro que não estamos falando da sua estilização, trajes, cores, das mudanças da Sombrinha - nosso maior símbolo - nem da sistematização e criação de novos passos. Estas são inovações que surgiram para embelezar a coreografia.

A rapidez do Frevo e do Passo ainda não os descaracterizaram completamente, mas até quando resistirão?

Viva os 101 Anos de Frevo. Parabéns para todos nós! Mas, para que se comemore os seus duzentos, trezentos...anos, muito temos a fazer agora.

Recife, 19 de janeiro de 2008

Luiz Gonzaga de Castro
Folião e Compositor Pernambucano
Diretor de Um Bloco Em Poesia

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Três em um

Esta postagem contém um vídeo acompanhado de breve comentário (1), um esclarecimento(2) e uma "propaganda"(3).


(1) O vídeo
Não gosto do chamado Movimento Armorial. Mas não pretendo nem um pouco tocar neste assunto agora. O que quero mesmo é dizer que, independente de gostar ou não do Armorial, a singularidade do Ariano Suassuna é inquestionável. Chego a dizer que pouquíssimas são as pessoas (conhecidas minha, claro) que não gostam do Ariano.

Pois bem, vamos ao vídeo. Em cima de uma palestra, pegaram um trecho e fizeram o Funk do Suassuna. Hilário! Só não sei se ele gostaria da obra final.


(2) Esclarecimento
Um amigo questionou-me certa feita o porquê de não produzir postagens mais sérias, reflexivas, construtivas, etc. Disse a ele e reforço aqui: nunca foi a minha proposta e nem pretendo despender muito do tempo com isso. O blog surgiu num momento da minha vida em que passei a me interessar mais e ler sobre música, arte, culturas diversas, enfim. E mesmo assim, acho que não consegui passar para este espaço nem 5% do que aprendi, do que li, do que passei a admirar.
No fim das contas, fechei a questão com: a "linha editorial" é simplesmente colocar ali o que der na telha, muitas vezes até besteiras completas, mas sempre tentando ao máximo seguir a proposta (que pode ser lida abaixo do título do blog) e criar um espaço extra de interação com os amigos e com as amigas. Pronto.

Mas é aquela coisa. Sempre que dá, procuro elaborar melhor as postagens. Estou vendo como vai se estabelecer minha vida daqui pra frente no internato do curso, mas tenho algumas idéias legais para botar em prática por aqui.

E por fim, continuarei com postagens sobre política, sobre a esquerda nacional e internacional, enfim. Não está na proposta original do Propalando, pois na época imaginávamos o blog Veias Abertas, mas sempre que der vontade posto sobre esta temática. O fato é que procuro que esteja sempre presente (em tudo que faço) as críticas às injustiças, a desiguldade, e por ai vai.


(3) Propaganda.
Não, não é link patrocinado :P. A propaganda é de uma postagem que estou em mente. Será sobre o boato que rolou em Recife, na década de 70, que a barragem de Tapacurá havia estourado. História curiosíssima.

Um Abraço!

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Cartum premiado no Salão de Humor de Paraguaçu de 2005. Muito bem bolada, né não?

Link para o sítio do Salão

domingo, 6 de janeiro de 2008

Futebol e Política

Sem sair do clima de postagens sobre futebol, gostaria de recomendar o blog Cartola na Bandeja - http://cartolanabandeja.wordpress.com/.

Bem recente, mas que traz uma proposta interessante de discutir o futebol de maneira politizada, servindo até como um manifesto contra o futebol-mercado, cada vez mais reinante no país e no mundo.

Abraços

quinta-feira, 3 de janeiro de 2008

quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Futebol Brasileiro

Costumo dizer que um dos meus maiores defeitos é gostar de futebol. Talvez goste mais do Sport que propriamente do esporte bretão, mas demos seguimento à postagem.

O que mais me deixa irritado (e este é um dos motivos para eu torcer contra a Seleção Brasileira) é a roubalheira generalizada e escancarada que rola no mundo do futebol e, em especial, no futebol brasileiro.

Comandando tudo isto temos a CBF. Presidida pelo Ricardo Teixeira. Grande pilantra do cenário nacional. Nenhuma novidade. Pois bem. Vamos aos fatos.

Que a alta pilantragem (em qualquer ramo) é sócia, não resta dúvida. Mas sempre fiquei intrigado com os contratos da Rede Globo de Televisão com a CBF. Mais especificamente o seguinte: Por que, de uns anos pra cá, mesmo com a Rede Record oferecendo mais dinheiro pelo direito de transmissão de alguns campeonatos, a CBF opta pela Globo???

A resposta explícita segue abaixo. É o tipo de coisa que não nos soa como novidade, apenas não conhecíamos a concretude dos fatos.

O acontecido foi o seguinte: A CBF começou a fazer biquinho pra Globo. A Globo, por sua vez, "macaca velha" em pilantragem, rapidamente prepara um Globo Reporter Especial botando quente na CBF e em Ricardo Teixeira. Toda respaldada por dados colhidos pela CPI da NIKE/CBF. O detalhe é que o programa não foi ao ar. Serviu apenas como arma de chantagem para a Globo manter a entidade e seu Ricardo na palma de sua mão.

Duas perguntas não sei responder, mas gostaria muito:
1 - Desconheço a origem da CPI da NIKE /CBF. Teria sido "encomendada" pela Globo? Pela moralização do Futebol Brasileiro tenho certeza que não foi, visto que muitos ali dentro se locupletam com toda esta cagada.

2 - Como o Kajuru conseguiu este vídeo? A Globo teria facilitado em vistas a novas ameaças? Ou o Kajuru realmente conseguiu comprar este vídeo a um ex-jornalista da TV Globo, como li? (Aliás, tenho meus questionamentos sobre Kajuru, mas gosto do seu espírito crítico). Pretendo pesquisar mais sobre a questão da CPI e sobre este vídeo.

Seguem abaixo os vídeos: