quinta-feira, 22 de fevereiro de 2007

Quarta-feira de cinzas (2)

Eu tinha dado por encerrado este assunto, mas torno a posta-lo porque achei um texto muito bom.
Trata-se novamente do pesquisador Leonardo Dantas. Abaixo, um pequeno trecho. Para lê-lo completo é só clicar no link abaixo (leia mais).

Cancioneiro da Quarta-Feira
Leonardo Dantas Silva

Depois de um Carnaval, vem a quarta-feira ingrata, onde “tudo é cinzas!” A partir de então tem início a Quaresma que, no passado, era tempo de reflexão, jejum e abstinência completa de carne. Em cada Quarta-Feira de Cinzas, porém, resta no peito do verdadeiro folião uma saudade, uma lembrança do carnaval que passou, assim expressada por vezes com lágrimas e acalentadas pelos versos do próprio cancioneiro carnavalesco de Edu Lobo.

Hoje não tem dança
Não tem mais menina de trança
Nem cheiro de lança no ar
Hoje não tem frevo
Tem gente que passa com medo
Na praça ninguém pra cantar.

Leia mais

Quarta-feira de cinzas

Lula Cardoso Ayres, um dos homenageados no Carnaval de Recife

Galera,
Estou ainda com uma pesada infecção nas amígdalas que me deixa arriado sem ao menos conseguir falar. Mas tinha dito que escreveria algo sobre a quarta-feira de cinzas. Pois é, pra mim nada retrata melhor a quarta-feira de cinzas que as letras das duas músicas a seguir.
A primeira é de José Menezes e Geraldo Costa e chama-se Terceiro Dia.
A segunda é de Luiz Bandeira e chama-se Quarta-feira Ingrata.

4. Terceiro Dia LA-
(José Menezes - Geraldo Costa)

Na madrugada do terceiro dia
Chega a tristeza e
Vai embora a alegria
Os foliões vão regressando
E o nosso frevo, diz adeus a folia
A noite morre, o sol vem chegando
E a tristeza vai aumentando
A gente sente uma saudade sem igual
Que só termina
Com um novo carnaval
13. Quarta Feira Ingrata
(Luiz Bandeira)

É de fazer chorar
Quando o dia amanhece
Que eu vejo
O frevo acabar
Oh Quarta Feira ingrata
Chega tão depressa
Só pra contrariar
Quém é de fato
Bom pernambucano
Espera o ano
Pra cair na brincadeira
Esquece tudo
Quando cai no frevo
E no melhor da festa
Chega a Quarta Feira.
Um grande abraço a todas e todos. Acho que com esta postagem encerro, por enquanto, o assunto. Até o próximo carnaval!
Festa da folia nas ladeiras de Olinda. E tome frevo!

segunda-feira, 19 de fevereiro de 2007

Postagem relâmpago. Passo apenas para deixar algumas imagens deste carnaval e um texto muito interessante escrito pelo Leonardo Dantas sobre a história do Lança-Perfume no carnaval brasileiro. Não sabe o que é Lança-Perfume? Clica Aqui. E o Leonardo Dantas? Não conhece? Clica Aquii












Saudades do lança-perfume

Saudades do lança-perfume
Leonardo Dantas Silva

O lança-perfume foi a grande invenção do Carnaval Brasileiro. Surgido em 1906 no Rio de Janeiro, logo veio dar uma aura toda especial às festas de momo de norte e sul deste imenso país do carnaval. Apareceu com grande publicidade, sendo distribuído em três apresentações — dez, trinta e sessenta gramas, pela Casa Davi do Rio de Janeiro. Fabricadas pela Rodo Suíça, aquelas ampolas de cloreto de etila, especialmente perfumadas, perfumaram os nossos carnavais até 1961, quando tiveram a sua produção proibida por decreto do presidente Jânio da Silva Quadros.
Em 1911 eram consumidas no Brasil 300 libras do produto e só a Rodo-Suíça para aqui exportara a elevada quantia de 4.500 contos de réis ! Tal mercado veio a despertar a atenção daquela empresa, que logo enviou ao Brasil um seu representante, sr. J. A. Perretin, a fim de assistir às festas do carnaval do Rio de Janeiro daquele ano. Em entrevista à Gazeta de Notícias, transcrita parcialmente por Eneida, o sr. Perretin declarou: “Um povo que faz um carnaval como este é o povo mais alegre do mundo”.
Denominava-se de lança-perfume a bisnaga metálica ou de vidro, para uso nos festejos carnavalescos que, carregada de éter perfumado e à base de ar comprimido, lança seu conteúdo a relativa distância quando destampada.
A novidade caiu no gosto dos foliões brasileiros. O mercado consumidor crescia a cada ano, motivando o aparecimento de novas marcas — Geyser, Nice, Meu coração, Pierrot, Colombina, etc. —, algumas delas assinadas pelos célebres perfumistas Lubin e Pinaud. Até o Recife veio dispor de uma fábrica de lança-perfumes, Indústria e Comércio Miranda Souza S.A., localizada na Rua da Aurora, responsável pela produção das marcas Royal e Paris.
Um inconveniente, porém, acompanhava o produto e era causa de constantes acidentes entre os seus usuários: os recipientes que continham o éter perfumado sob pressão eram de vidro. Em 1927, objetivando sanar tal deficiência, a Rodo lançou no mercado o seu lança-perfume metálico. Apresentado em invólucros de alumínio dourado, o novo produto recebeu a marca Rodouro, o que não impediu que se continuasse a produzir com preços inferiores lança-perfumes em recipientes de vidro. Naquele ano o consumo do produto atingia, segundo a imprensa carioca, a casa das 40 toneladas e no Recife, anos depois, as suas virtudes eram assim anunciadas: Um perfume suave eu espalho, / Sou distinto, perfeito, não falho. / Sou metal e no chão não estouro. / Sou o lança-perfume Rodouro.
O que era brinquedo romântico, inofensivo e barato, passou a ter outra destinação. Segundo denúncia da imprensa carioca, no carnaval de 1928, o conteúdo do lança-perfume passou a ter objetivos outros: “... o éter fantasiado de lança-perfume é sorvido com escândalo pelo carnaval. No vício legalizado, o Brasil consome quarenta toneladas do terrível entorpecente. Essa quantidade de anestesia daria para abastecer todos os hospitais do mundo”.
No Recife, o hábito de aspirar lança-perfume já aparece no romance de Mário Sette, Seu Candinho da Farmácia, lançado em 1933 pela Editora Nacional, que assim comenta na boca de um dos personagens: “O cheiro de éter perfumado misturado ao cheiro das mulheres fazia rodar a gente...”
Nas eleições presidenciais de 1960, o sr. Jânio da Silva Quadros vem vencer com uma imensa maioria de votos o general Henrique Teixeira Lott, assumindo o cargo de supremo mandatário da República do Brasil, em 31 de janeiro do ano seguinte. No seu conturbado mandato de 206 dias, Jânio inaugura o sistema de governar através dos chamados “bilhetinhos”, tendo emitido 1.534 deles, versando sobre os mais diversos assuntos. Preocupado com o saneamento moral do país, legislou sobre trajes de misses, brigas de galo, sessões de hipnotismo e, como não poderia deixar de acontecer, veio proibir “a fabricação, o comércio e o uso do lança-perfume no território nacional”, através do Decreto n º 51.211, de 18 de agosto de 1961, cujos efeitos atingem os festejos carnavalescos até os nossos dias.
A sua proibição, porém, deixou saudades em todos os foliões que dele faziam uso de maneira romântica, como forma de aproximação ou de convívio, na alegria do carnaval, enchendo de perfume e povoando com a sua aura inesquecível as nossas ruas e salões.
Como no Cordão da Saideira, frevo composto por Edu Lobo: “Hoje não tem dança / não tem mais menina de trança / nem cheiro de lança no ar / Hoje não tem frevo / Tem gente que passa com medo / Na praça ninguém pra cantar...”.

Fontes: http://www.jcimagem.com.br/carnaval2007 / http://pt.wikipedia.org / http://www.revivendomusicas.com.br/



sexta-feira, 16 de fevereiro de 2007

O Frevo hoje

E ai pessoal,
Estou aproveitando um tempinho aqui pra escrever um pouco mais sobre frevo. Esta segunda postagem será composta mais por imagens que por texto.

Para alguns o frevo ainda é algo que está limitado, ultrapassado e que sua tendencia é o desaparecimento. Grave engano. O Frevo em sido 'terreno' de muita renovação e de muitas experiências. Creio até que temos visto neste início de século uma onda de ascensão muito boa. E pra mim a tendência é melhorar.

Bom, e não tem como falar em renovação do frevo sem falar em Spok e na sua fantástica orquestra. Sobre ele nem vou me alongar. Para ler sobre clica aqui.
Abaixo, dois vídeos. Um, é uma pequena amostra do som da galera. O outro, uma entrevista do maestro Spok para o JC, falando um pouco de sua trajetória:




O vídeo abaixo é com o pessoal da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério, que inclusive estará hoje no palco do marco zero, na abertura.



E por fim, um video com o Silverio Pessoa. Numa futura postagem coloco um pouco sobre a carreira desse grande artista pernambucano. Alceu Valença tambem canta no vídeo.



Queria escrever mais sobre esse tema, pois há muito a se falar, mas deixo para um outro momento. Abaixo, imagens do frevo no Recife Antigo.



Entramos agora de fato num clima de magia que é o carnaval. Muita alegria, muita farra, até a quarta-feira de cinzas. Ahh. Pretendo escrever tambem uma postagem sobre o que significa a quarta-feira de cinzas para o folião. Agora é hora de curtir! Bom Carnaval a todas e todos!

domingo, 11 de fevereiro de 2007

100 anos de FREVO

Sexta-feira, dia 9 de fevereiro, o frevo completou 100 anos. Não do ritmo, pois este já embalava o nosso carnaval desde o final do século XIX. Mas então o que tem de especial nessa data?
Foi em 9 de fevereiro de 1907 que o termo "frevo" foi registrado pela primeira vez na imprensa. Mais precisamente no "Jornal Pequeno".
Bom, não vou agora ficar fazendo resgate histórico do frevo porque é possível encontrar na internet um bocado de registros, por sinal, muito bem feitos. Qualquer coisa procura no 'google'
Ainda sim queria trazer uma pequena explicação dos 3 tipos de frevo, pois vejo que muita gente não conhece. São eles:
- O Frevo-de-rua
- O Frevo-canção
- O Frevo-de-bloco

O Frevo-de-rua é aquele frevo que, em geral, não tem letra. Feito para ser dançado. Como um dos exemplos temos o frevo 'Último Dia' de Levino Ferreira (que disponibilizo para ser escutado logo abaixo)
O Frevo-canção podemos dizer que surge com a incorporação de letras às músicas. O hino da Pitombeira, de Alex Caldas, e o Hino de Elefante, de Clídio Nigro, (abaixo disponibilizado) são grandes exemplos desta categoria
E por fim, o Frevo-de-bloco. Surge das serenatas. Em geral tocado por orquestras de pau e corda e acompanhados por um coral feminino. São exemplos "Último Regresso" de Getúlio Cavalcante e A dor de uma saudade de Edgard Moraes (também encontrada abaixo).

Na próxima postagem quero falar de outras coisas do frevo e também sobre o que temos na nova geração.

Abaixo, as músicas. Bom proveito! Já conhecem o esquema para escutar né? Mesma coisa dos vídeos do youtube: Aperta o 'play', dá um 'pause' para carregar um pouco, evitando assim que a música fique parando, e em seguida é só apertar 'play' novamente e curtir o som.

Ah! antes que me esqueça. Quer baixar frevo? Então entra nesse maravilhoso link: http://frevo.multiply.com/. Muita coisa boa para baixar e escutar.

Último Dia de Levino Ferreira (Frevo-de-rua):

Hino de Elefante de Clídio Nigro (Frevo-canção):

A Dor de Uma Saudade de Edgard Moraes (Frevo-de-bloco):

Próximas semanas

Pessoal,

Queria só deixar avisado que nas próximas semanas terei maiores dificuldades para atualizar o blog. É que de 1 a 4 de março estaremos realizando o Congresso dos Estudantes da UFPE. Comum em muitas universidades, não temos um evento como este na UFPE há mais de 10 anos. Tem nos dado muito trabalho e a tendencia é que dê mais trabalho até lá. Mas tem valido a pena.

Bom, de qualquer maneira estarei por aqui da forma que der. Grande abraço!

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2007

De volta!

olá, como vão?

Depois de vários dias sem postar, estou de volta. Devido ao ritmo corrido lá no Rio não deu para fazer postagens da maneira que queria.
E de volta a Pernambuco, me abateu uma gripe que me deixou "de cama".

Para não deixar passar em branco esta postagem, testo agora os serviços do sitio http://www.goear.com. Trata-se de um sitio como o Youtube, mas, ao invés de disponibilizar vídeos, dá para disponibilizar arquivos de aúdio em mp3.

A música que disponibilizo chama-se "O Samba é Meu Dom" de Wilson das Neves. Grande compositor carioca que, depois de 40 anos de carreira, lançou seu primeiro disco solo em 1997: "O Som Sagrado de Wilson das Neves".

Funciona no mesmo esquema do youtube. Abaixo está o player. Aperte "play", depois "pause" para carregar um pouco e evitar interrupções. Em seguida, é só "dar play" novamente e curtir este excelente samba. Abração!